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terça-feira, 9 de janeiro de 2024

A banalização e o uso político do escudo FIFA

Na última quarta-feira (3) foi divulgado a lista dos árbitros FIFA para temporada 2024. O que chama atenção é a falta de critérios nas escolhas e meritocracia dos promovidos. Banalizaram o escudo da categoria mais cobiçado do mundo e cada vez mais o fator QI (quem indica) e a influência política vale mais para a promoção que a experiência e a capacidade técnica dentro das quatro linhas.

O resultado não poderia ser outro. Quadro inexpressivo, árbitros sem qualidades técnicas e a maioria incapaz de apitar  grandes jogos, por mais difícil que seja, como exige o escudo de elite e dos dez árbitros do quadro FIFA, dois ou três no máximo são requisitados para jogos internacionais e os demais, muitos deles, sequer são escalados em jogos importantes da Série A do Brasileiro.

No quadro feminino, a situação é ainda pior, muito delas, mesmo com escudo no peito sequer atuaram em uma partida da Série A do Brasileiro. A catarinense Charly Wendy Straud Deretti que entrou no quadro CBF em 2018 e na FIFA em 2020, é uma delas.

Quem sai

No masculino, Wagner do Nascimento Magalhães, do Rio de Janeiro e Sávio Pereira Sampaio, do Distrito Federal, deixam o quadro. Magalhães nunca justificou o escudo internacional e é um daqueles casos que ninguém, que tenha o mínimo de conhecimento de arbitragem, entende sua indicação ao quadro internacional, a não ser por política. O carioca atuou em quatorze partidas da Série A na temporada passada, nenhuma delas clássico ou partida importante da rodada e em boa parte delas, saiu de campo sob críticas.

Magalhães e Sampaio - mais escudo que apito - Foto: CBF

A atuação desastrosa na partida Santos e Coritiba, pela 29ª do brasileiro do ano passado, certamente foi a pá de cal que faltava para sua saída da FIFA. Depois das lambanças cometidas na partida, foi para a geladeira ficando sete rodadas sem ser escalado e quando o castigo acabou, só atuou em mais três jogos, todos eles da Série B. Não fara falta ao quadro FIFA e muito menos se encerrar a carreira.

Já Sávio Pereira Sampaio também não justificou sua promoção no final de 2022. Foi surpresa quando entrou, certamente por indicação política, e também surpresa a saída do quadro, pois mesmo apresentando baixo desempenho nas partidas que atuou, entraria no segundo ano como internacional e mais experiente e ambientado com escudo, poderia até melhorar a performance e se não melhorasse, seria impossível piorar.

Na última temporada Sampaio atuou em vinte partidas da Série A do Brasileiro. Não errou tanto como Magalhães, mas recebeu muitas críticas na maioria das partidas, especialmente no confronto entre Flamengo e Bahia quando foi corrigido pelo VAR diversas vezes.

Quem entra

Nas duas vagas abertas entram os Rodrigos, o Pereira de Pernambuco e o Klein do Rio Grande do Sul. Não tem muito que se falar dos dois a não ser que ambos têm quase que a mesma idade, 36 para o pernambucano e 33 para o gaúcho e currículo bem parecidos que, com certeza, não habilitaria os dois para ostentar um escudo FIFA se a indicação fosse por meritocracia.

Pereira e Klein - Escudo abre portas, mas não apita jogos

Não que os dois não tenham qualidades, mas ainda não foram testados ou possuem experiências o suficiente para ostentarem um escudo tão importante. Os dois estrearam na Série A do Brasileiro em 2022 e coincidentemente as duas partidas terminaram empatadas. Rafael Rodrigo Klein na 30ª rodada, no empate por 1 a 1 entre Athletico Paranaense e Fortaleza e Rodrigo José Pereira de Lima na 37ª rodada, na partida Juventude 2x2 Flamengo.

Agora politicagem pura foi a indicação irregular do baiano Diego Pombo para o VAR na vaga de Rafael Traci, paranaense que mora em Curitiba, mas atua por Santa Catarina. O currículo de Pombo na arbitragem é inexpressivo, mas fora da arbitragem o rapaz é um popstar com direito a participação em reality show e vídeos se masturbando publicados na internet (leia).

Pombo tem muita experiência com vídeos. Não é VAR por acaso - Foto: Bn@ws

Sua indicação é um flagrante desrespeito a circular 1857 da FIFA que diz no item 6 do documento - Condições de nomeação -, na letra G, que ‘para fazer parte do quadro VAR internacional, o indicado deve ter atuado em pelo 15 partidas da Série A do país’. Pombo só atuou em sete (veja doc. abaixo).

Baseado no currículo de quem entre e de quem sai, a promoção de Pombo dá uma dimensão de como é a comissão de arbitragem da CBF. Ou seja, uma verdadeira casa da mãe Joana, que funciona a deus dará e sob ordens dos baianos Ednaldo Rodrigues e Ricardo Lima, presidente da Federação Bahiana de Futebol e braço direito do atual mandatário da CBF. Ednaldo e Ricardo, os mesmos que teriam ordenado a entrada de Luanderson Lima dos Santos no quadro FIFA no ano passado, mesmo ano que estreou na Série A, fizeram de tudo para emplacar Pombo dentro de campo, mas como o galã erótico não teve qualidades técnicas para se firmar, conseguiram arrumar uma vaguinha pra ele no VAR. Luanderson e Pombo, pertencem ao quadro de árbitros da Bahia e são apadrinhados por Ednaldo Rodrigues e Ricardo Lima, ex-presidente e atual presidente da FBF, respectivamente nesta ordem.

Circular FIFA 1857 com critérios para ingresso no quadro VAR

Como informação, enquanto Diego Pombo atuou em sete partidas como VAR na temporada passada, Traci atuou em trinta e três e fica evidente a troca pelo fator política no velho e eficaz ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’.

Também foram promovidos a mato-grossense Fernanda Kruger e a gaúcha Maíra Mastella Moreira, como árbitras assistentes.

A partir deste ano, o Brasil passará a contar com 60 integrantes no quadro FIFA, entre árbitros de futebol, futsal e beach soccer. Serão 17 árbitros de campo, 19 assistentes, 12 árbitros assistentes de vídeo, oito de futsal e quatro de beach soccer.

Confira abaixo a lista completa:

ÁRBITROS

Anderson Daronco

Bráulio Silva Machado

Bruno Arleu de Araújo

Flavio Rodrigues de Souza

Paulo Cesar Zanovelli da Silva

Rafael Rodrigo Klein

Ramon Abatti Abel

Raphael Claus

Rodrigo José Pereira de Lima

Wilton Pereira Sampaio

Andreza Helena Siqueira

Charly Wendy Straud Deretti

Daiane Caroline Muniz dos Santos

Deborah Cecilia Cruz Correia

Edina Alves Batista

Rejane Caetano da Silva

Thayslane de Melo Costa

Árbitros Assistentes

Alex Ang Ribeiro

Bruno Boschilia

Bruno Raphael Pires

Danilo Ricardo Simon Manis

Fabrício Vilarinho da Silva

Guilherme Dias Camilo

Luanderson Lima dos Santos

Nailton Junior Sousa Oliveira

Rafael da Silva Alves

Rodrigo Figueiredo Henrique Correa

Anne Kesy Gomes de Sá

Barbara Roberta da Costa Loiola

Brígida Cirilo Ferreira

Fabrini Bevilaqua Costa

Fernanda Kruger

Fernanda Nandrea Gomes Antunes

Leila Naiara Moreira da Cruz

Maíra Mastella Moreira

Neuza Inês Back

Árbitros Assistentes de Vídeo

Daniel Nobre Bins

Diego Pombo Lopez

Igor Junio Benevenuto de Oliveira

José Cláudio Rocha Filho

Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro

Rodolpho Toski Marques

Rodrigo D’alonso Ferreira

Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral

Rodrigo Nunes de Sá

Wagner Reway

Charly Wendy Straud Deretti

Daiane Caroline Muniz dos Santos

Árbitros de Futsal

Alfredo Carlos Wagner

Felipe de Fabio Ventura

Guilherme Schwinden Gehrke

Ricardo Amaral Messa

Aline Santos Nascimento

Anelize Meire Schulz

Juliana Caroline Angelo

Paula Kamila Silva Cirilo

Árbitros de Beach Soccer

Lucas Estevão

Luciano Andrade

Mayron Frederico Reis Novais

Paula Madeira Liberato

Deixo meus parabéns aos que foram promovidos e desejo boa sorte nessa nova etapa da vida profissional de cada um que, independentemente de meritocracia ou política, certamente é a realização de um sonho e torço para que não se tornem ‘pavões’, pois, com raríssimas exceções, é o que acontece com todo árbitro no primeiro ano de internacional quando a soberba atinge o topo e passam a dar mais atenção ao escudo que as partidas que estão arbitrando. O resultado disso quase que sempre termina em lambanças, pois o escudo abre portas e te leva até dentro de campo, mas não apita a partida pra você.

Também deixo meus parabéns aos que permaneceram no quadro e torço para que tenham resiliência para se adaptarem e resistirem ao sistema que manipula e joga pesado sem dó de ninguém.

Obs. Os comentários acima são direcionados aos profissionais de arbitragem, jamais no campo pessoal ou diretamente a qualquer cidadão ou cidadã que merece respeito.

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