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quarta-feira, 18 de março de 2026

Profissionalização da arbitragem não passa de contrato de prestação de serviços autônomos 

Foto gerada por IA

Conforme anunciou a CBF – Confederação Brasileira de Futebol - em meados do ano passado, os árbitros brasileiros são profissionais a partir deste mês, ou pelo menos deveriam. A entidade que também anunciou o investimento de aproximadamente 200 milhões no projeto, aparentemente supervalorizou e maquiou a informação deixando a categoria na mesma situação de antes. Ou seja: profissionais liberais de prestação de serviços com emissão de nota fiscais e recolhimento de tributos fiscais pelos serviços prestados. 

Apesar do estardalhaço noticiado da suposta salvação da arbitragem, com direito a viagem de dirigentes a outros países para estudarem modelos a serem aqui implantados, pelo conteúdo do contrato assinado pelos árbitros, a tão sonhada profissionalização não passa de maquiagem com alguns ganhos a mais que consta em qualquer contrato de prestação de serviços autônomos. O que ja ocorria antes.

Outra informação dispare é o suposto investimento de 200 milhões que apuramos, se houver, vai englobar gastos em todo segmento como implantação e manutenção da tecnologia VAR, impedimento semi-automatico, cursos, viagens e até mesmo taxas de arbitragens e outros penduricalhos.

Trechos do contrato CBF / Árbitros - Crédito: Marçal

O Blog teve acesso, com exclusividade, ao documento assinado pelos arbitros com a CBF, que deixa claro que nada mudou, que a entidade se promoveu criando uma cortina de fumaça com grande projeção na mídia, maquiou legislação já existente e a situação dos árbitros continua a mesmaO que não é novidade e nem de se estranhar já sendo esperado, foi o silencio das entidades de classe, que de forma subserviente a CBF, sabe-se lá a que custo, aceitaram sem contestar que os árbitros se submetessem a um contrato com clausulas leoninas e altamente danosa a categoria.

Vamos ao documento.

Contrariando o informado, o documento, de cara, refuta qualquer possibilidade de vínculo empregatício como consta na clausula 2 do documento que fala sobre vinculo trabalhista.

“As partes reconhecem que a presente contratação possui exclusivamente natureza civil, inexistindo qualquer relação de emprego nos termos da lei geral do esporte” – diz o documento.

Trechos do contrato CBF / Árbitros - Crédito: Marçal

Pelo anunciado, os árbitros teriam exclusividade com a entidade, mas o paragrafo terceiro da clausula segunda diz que: “A contratada – os árbitros – poderá prestar serviços para outras entidades esportivas, sem a necessidade de autorização da contratante”.

Trechos do contrato CBF / Árbitros - Crédito: Marçal

No paragrafo segundo da clausula terceira, o documento diz que o contrato não tem exclusividade, com termino no final do ano sem qualquer indenização e com renovação por opção exclusiva da contratante.

Trechos do contrato CBF / Árbitros - Crédito: Marçal

O documento ainda diz em sua clausula quinta, paragrafo dois que as remunerações serão pagas mediante apresentação de notas fiscais por parte dos árbitros. 

Trechos do contrato CBF / Árbitros - Crédito: Marçal

Já na clausula sétima – Responsabilidade Tributaria - o documento diz que o arbitro e o único responsável pelo pagamento de todos os tributos incidente desta atividade.

Trechos do contrato CBF / Árbitros - Crédito: Marçal

Já a clausula nona, que trata de rescisão contratual, diz que não haverá qualquer pagamento, indenização ou compensação de natureza civil.

Trechos do contrato CBF / Árbitros - Crédito: Marçal

Por fim, a clausula décima – Confidencialidade – diz que o árbitro deve manter sigilo absoluto, entre outros, das informações do presente contrato pelo prazo de dez anos. O parágrafo três da presente clausula diz que o descumprimento implicara em medidas judiciais cíveis e criminais com indenização de dez vezes o valor fixo recebido pelo arbitro.   

Trechos do contrato CBF / Árbitros - Crédito: Marçal

Lendo o contrato, mesmo sem ter conhecimento jurídico, fica evidente que o documento contem clausulas leoninas, que só beneficia uma das partes, neste caso a CBF, e prejudica a parte mais fraca, os árbitros.

O Blog entrou em contato com as duas entidades sindicais, que antes se engalfinhavam para representar a categoria, mas que ultimamente andam lado a lado sob uma mesma liderança sabe-se la sob qual argumento de perssuação, a ANAF – Associação Nacional dos Árbitros de Futebol e a ABRAFUT – Associação de Árbitros de Futebol do Brasil, para esclarecer a participação no projeto de profissionalização e se posicionarem sobre o documento assinado pelos árbitros. 

Até o fechamento deste post, não houve retorno e esta matéria será atualizada caso isso ocorra.