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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Brasileirão terá regras da Copa do Mundo para combater cera e melhorar tempo de bola rolando

Reunião dos clubes na CBF aprova mudanças nas regras - Foto: Luciana Vermell/CBF

Dirigentes de todos os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro se reuniram na CBF na última segunda-feira (10), no Rio de Janeiro, e aprovaram a implementação das alterações nas regras do jogo, a partir da próxima rodada (23ª) do campeonato brasileiro. Ao todo serão 10 mudanças relacionadas à arbitragem.

As novas regras foram propostas pela International Football Association Board (IFAB) antes do Mundial e foram criadas com a ideia de combater a perda de tempo, a popular cera e deixar as partidas mais dinâmicas. Também foram definidos ajustes no protocolo do VAR. O árbitro de vídeo poderá intervir mais vezes, ampliando sua atuação no jogo, e ficará mais “poderoso”. A maioria das normas discutidas e aprovadas foram utilizadas na última Copa do Mundo.

Todos os presidentes de clubes presentes no encontro concordaram com as mudanças. As alterações serão aplicadas em todas as divisões do Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil e no Feminino A1.

Entre as normas aprovadas está a chamada ‘Lei Vini Jr.’, que pune com cartão vermelho o jogador que tapar a boca em discussões com adversários.

A CBF argumenta que a prioridade, com as mudanças, é aumentar o tempo de bola rolando nas partidas, problema evidenciado em relatório que mostrou que, até a parada para a Copa do Mundo, o tempo médio de bola rolando no Brasileirão era de 52 minutos e 54 segundos. A meta da FIFA é de 60 minutos de bola rolando.

As principais mudanças:

- Cinco segundos no arremesso lateral

Contagem começa quando o jogador tem a bola em mãos. Se não cumprir, inverte o lateral.

- Contagem de cinco segundos no tiro de meta

Árbitro apita, conta cinco segundos. Se não houve a cobrança, dá escanteio.

- Dez segundos para deixar o campo na substituição

Jogador sai pelo ponto mais próximo. Se estourara, o substituto só entra na primeira paralisação após um minuto de reinício. O que gera atraso pode levar amarelo se houver excesso na demora.

- 1 minuto fora após atendimento

Jogador atendido no gramado permanece fora do campo po um minuto. O árbitro pergunta ao jogador se quer/precisa receber atendimento.

- Goleiro atendido? Sai jogador de linha

Protocolo em teste pelo IFAB que CBF, Premier League (Inglaterra) e LaLiga (Espanha) vão aderir. Se o goleiro pede atendimento, precisa designar um jogador de linha para ficar fora de campo por um minuto após o jogo ser reiniciado.

- Somente o capitão fala com o árbitro

Um único interlocutor por equipe deve falar ao longo de toda a partida. Se perceber que está em meio a uma rodinha, o árbitro ativa o protocolo fazendo o sinal de punho fechado, cruzando os braços acima da cabeça. Aí, os jogadores devem se afastar.

- Lei Vini Jr.

Cartão vermelho a quem cobrir a boca intencionalmente durante uma discussão com adversário.

VAR mais ‘poderoso’

A atuação do árbitro de vídeo foi ampliada. Antes, o VAR podia intervir em quatro tipos de lance: gol, pênalti, cartão vermelho direto e erro de identificação. Agora, o novo protocolo prevê mais correções:

- VAR: revisão do segundo amarelo

O segundo cartão amarelo será passível de revisão no VAR.

O que ficou para 2027

Por sugestão da CBF e aprovação dos clubes, uma regra ficou para 2027: a revisão de VAR para marcação de escanteio.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Árbitro outdoor

Patrocinadora pagará cerca de 10 milhões de reais para estampar logotipo no cartão amarelo, na munhequeira e nas mangas dos uniformes da arbitragem 

Yelum Seguros na arbitragem

E o projeto da CBF de ter os custos da arbitragem totalmente bancados pela própria arbitragem avança a passos largos. A entidade fechou com um novo parceiro, a Yalum Seguros, que terá seu logotipo divulgado na equipe de arbitragem.

A ação “Cartão Yelum Seguros” teve inicio na ultima quinta feira, 30 de julho, e se estendera até o final de 2026 durante as partidas do Campeonato Brasileiro da Séria A e da Copa do Brasil. Nesse período, com provável renovação para os anos vindouros, todos os cartões amarelos exibidos pelos árbitros passarão a contar com o logotipo da Yelum. O logotipo da marca também estará presente nas mangas dos uniformes e munhequeiras de toda a equipe de arbitragem.

Os valores não foram revelados oficialmente, mas uma fonte dentro da CBF revelou que o acordo rendera algo em torno de 10 milhões de reais aos cofres da CBF. Desse valor, nenhum centavo será destinado diretamente a arbitragem cujo representantes (ANAF e ABRAFUT) sequer foram informados sobre o acordo.

A fonte também revelou que a entidade estuda uma forma de gratificar a equipe de arbitragem por cada cartão amarelo apresentado pela exposição da marca durante a partida.

A Yelum Seguros, controlada pelo grupo HDI, revelou que a ação publicitária terá custos de R$ 15 milhões englobando o contrato de patrocínio com a CBF e as ativações de mídia na TV e redes sociais.

O Blog tentou, mas não conseguiu contatar a CBF e a Yelum Seguros. O espaço estará aberto e será atualizado caso alguma dessas empresas se pronuncie.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Presidente da Comissão de Arbitragem cearense é afastado após denúncias de assédio sexual

Paulo Silvio - Crédito: Pedro Chaves / FCF

O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio, foi afastado do cargo, depois de nove anos à frente da pasta. Segundo nota oficial da FCF, o próprio dirigente solicitou, na terça-feira (14), licença pelo período de 30 dias.

A nota ainda diz que o cargo será ocupado por Francisco de Almeida Filho, atual vice-presidente da Comissão de Arbitragem.

Outro motivo?

Segundo informações divulgadas nas redes sociais do ex-árbitro FIFA Dacildo Mourão, o motivo do afastamento de Paulo Silvio teria sido por denúncias de assédio sexual feitas por, pelo menos quatro árbitras do quadro cearense.

O ex-FIFA divulgou no seu Instagram, vídeo em frente à Casa da Mulher Brasileira que é a delegacia responsável pelas demandas policiais da mulher. No vide (abaixo), o ex-FIFA relata que as árbitras estavam sendo ouvidas pela delegada naquele momento (ontem à tarde) e que foi realizado BO (boletim de ocorrência) para apurar as denúncias.

Denuncias de Dacildo Mourão - Crédito: Instagram

Veja vídeo original: https://www.instagram.com/p/DayZn-6CWHw/

Dacildo ainda fez uma série de denúncias contra Paulo Silvio e membros da comissão de arbitragem cearense relatando até um possível estupro sem entrar em detalhes e cobrando a prisão do dirigente.

O Blog apurou o nome das quatro árbitras que estavam presentes na delegacia representadas pelo advogado de iniciais BV, que não vamos divulgar e nem entrar em detalhes para não atrapalhar as investigações em andamento que estão em sigilo.

O Blog apurou ainda que Paulo Silvio não deve mais retornar ao cargo na FCF. A comissão de arbitragem cearense passará a ter um novo dirigente e que Almeida filho ficará no comando até a definição do novo nome para a função.

Segundo ainda apurou o Blog, o nome mais provável é o do carioca Marcelo de Lima Henrique, de 54 anos, que atua no quadro de árbitros da FCF desde o final de 2021. Segundo os bastidores, De Lima, que já anunciou sua aposentadoria do apito para o final deste ano, já teria, tempos atras e antes da demissão de Paulo Silvio, conversado com o mandatário da FCF sobre esta possibilidade.

Reportagem da Globo-CE sobre o caso - Crédito: GE/CE

O que ele disse

O Blog entrou em contato com Paulo Silvio para esclarecimentos sobre as denúncias. Segundo o dirigente, ele se licenciou do cargo por ter viagem particular marcada a algum tempo para os Estados Unidos. Em relação as denúncias, o dirigente disse que não é a primeira vez que isso ocorre e que sofre uma perseguição sistemática do ex-árbitro desde que assumiu a comissão de arbitragem. Paulo Silvio ainda disse que não tinha chegado nada pra ele oficialmente sobre estas denúncias e que tomara as medidas necessárias e cabíveis no momento oportuno para preservar seu nome e sua honra.

Atualizado: 17/07/2026 - 08:14 hs

quinta-feira, 9 de julho de 2026

TRT condena Federação Carioca em 100 mil por exigir sindicalização de árbitros

A 10ª turma do Tribunal Regional do Trabalho da primeira região, em grau de recurso, ajuizado pelo Sintrace - Sindicato dos Trabalhadores e Colaboradores da Arbitragem Esportiva do Estado do Rio de Janeiro -, condenou a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), ao pagamento de 100 mil reais, por exigir, como requisito, a sindicalização dos árbitros para atuarem em suas competições.

O acordão ainda reconheceu o Sintrace como entidade legitima para defender os interesses da categoria. A FERJ sustentava que a entidade sindical não representaria legitimamente a categoria dos árbitros. O Tribunal rejeitou essa alegação. O acórdão reconhece expressamente que o sindicato se encontra regularmente registrado perante o Cadastro Nacional de Entidades Sindicais (CNES), possui base territorial estadual e representa diversas categorias da arbitragem esportiva.

Além disso, o Tribunal observou que o SAPERJ – Sindicato dos Árbitros do Estado do Rio de Janeiro, sequer possuía registro regular no CNES na situação analisada, razão pela qual manteve o reconhecimento da legitimidade do SINTRACE para propor a Ação Civil Pública em defesa coletiva dos profissionais da arbitragem. 

Trechos da ação

O acordão cita que a exigência de filiação e de contribuição para trabalhar por parte dos árbitros foi ilícita, que houve violação a direitos fundamentais dos árbitros e que a violação foi grave o suficiente para gerar dano moral coletivo.

O Blog falou com Marçal Mendes, Presidente do Sintrace sobre o que essa decisão representa para os árbitros.

“A decisão do Tribunal Regional do Trabalho representa uma vitória histórica para os árbitros de futebol do Estado do Rio de Janeiro. Na prática, a Justiça reconheceu que ninguém pode ser obrigado a entrar em um sindicato ou pagar contribuições sindicais apenas para poder trabalhar como árbitro. Isso significa que o direito ao trabalho está acima de qualquer exigência de filiação sindical” – disse Marçal Mendes.

Marçal Mendes - Presidente SINTRACE

“Antes, muitos profissionais precisavam manter pagamentos ao sindicato indicado pela Federação para conseguir atuar nas competições. Agora, o Tribunal afirmou que essa prática contrariava a Constituição Federal, que garante a liberdade de associação. Ou seja, o árbitro tem o direito de escolher livremente se quer ou não se associar a qualquer entidade sindical, sem sofrer punições por essa decisão” – encerrou o líder sindical. 

Entenda o caso

No final de 2025, o Sintrace ajuizou ação civil pública contra a exigência da FERJ, para que os árbitros fossem associados do SAPERJ e ainda à COOPAFERJ (cooperativa da FERJ) com pagamentos de anuidades de R$ 200,00 e descontadas taxas de 5% dos pagamentos recebidos pelos árbitros nos jogos em que atuavam para atuarem nas suas competições, o que ocorreu até março de 2019.

Trecho da ação reproduzindo Art.41 do regulamento da FERJ

A ação, com valor de R$ 1.018.900,00, foi julgada improcedente em primeira instancia por prescrição de prazo e reformada parcialmente em maio deste ano, em grau de recurso pelo TRT.

Embora ainda possam existir recursos às instâncias superiores em relação a alguns pontos do processo, o acórdão do TRT da 1ª Região representa um marco jurídico na proteção dos direitos fundamentais dos árbitros esportivos e no respeito à liberdade de associação garantida pela Constituição da República.

Trecho da ação

O Blog entrou em contato, mas não conseguiu retorno da FERJ. O espaço esta aberto e este post será atualizado caso isso ocorra.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

CBF banca viagem de presidentes de federações, de clubes e da arbitragem para a Copa do Mundo

O pacote oferecido pela entidade inclui passagens aéreas, hospedagem e ingressos para as partidas do Brasil para o dirigente e acompanhantes

Salmo Velentim - Presidente ANA/ABRAFUT - Foto crédito: Tribuna do apito

A Confederação Brasileira de Futebol está custeando a ida e a estadia dos presidentes das 27 federações estaduais, de mais de 100 presidentes de clubes durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Segundo apurações, no pacote estaria também dirigentes da arbitragem leais aos interesses da CBF.

Segundo informações, os dirigentes estão hospedados em um luxuoso hotel em Orlando, nos Estados Unidos, com direito a passeios nos parques temáticos, transporte aéreo e ingressos para acompanhar os três jogos da Seleção Brasileira na primeira fase do torneio. Além disso, cada convidado teve direito de levar uma acompanhante a livre escolha. Segundo noticiado na imprensa recentemente, o presidente da CBF teria levado três.

Se seguiram o exemplo do presidente da entidade, que, segundo reportagem do Portal Léo Dias (Leia), foi flagrado com acompanhantes em torneios da FIFA e da Copa, arrisco a dizer que mais da metade das acompanhantes não teria ligação matrimonial com seus respectivos companheiros de viagem.

Segundo informações de bastidores, entre os convidados, estaria o atual presidente da ABRAFUT, entidade supostamente criada sob ordens da CBF para rivalizar com a ANAF, a representatividade da arbitragem brasileira. 

Vale lembrar que o mesmo dirigente passou a presidir, sob as benções de Samir Xaud, as duas entidades após acordos de bastidores com suposta intermediação de preposto da CBF, mesmo sem ter qualquer vínculo anterior com a ABRAFUT, que seria subserviente ao sistema e aos interesses do patrão e de ter sobre si o peso de ter sucateado, falido e praticamente levado a ANAF a extinção.

Enquanto o dirigente goza das regalias supostamente vindas do lado patronal, 99% dos sindicatos estaduais, que foram abandonados após promessas não cumpridas pela atual gestão, estão endividados, sem qualquer relevancia, só existindo no papel e agonizando os ultimos suspiros esperando o fim decretado tempos atrás.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

FERJ convoca reunião com árbitros por MEI obrigatório e igualdade nas taxas

Como noticiado aqui neste Blog, o Sintrace - Sindicato dos Trabalhadores e Colaboradores da Arbitragem Esportiva do Estado do Rio de Janeiro - está acionando a FERJ - Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro –, buscando equiparar as taxas dos árbitros que atuem na mesma divisão e fase da Série A do campeonato carioca. A ação civil pública que pede indenização de 300 mil reais, tramita na 37ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, com audiência marcada para o dia 29 de junho (leia).

Segundo informações, a FERJ estaria bastante incomodada com esta ação jurídica e outras tantas que vem respondendo e busca uma forma de se adequar a atualidade. Por conta disso esta solicitando nota fiscal dos árbitros para o pagamento das taxas dos jogos por eles arbitrados. A determinação incomodou os árbitros que, em off, tem denunciado a manobra que seria para comprovar o pagamento dos serviços prestados pelos profissionais a entidade, mas alguns desconfiam que o motivo principal seria, em caso de necessidade, comprovar a inexistência de qualquer vínculo empregatício entre ambas as partes ou até mesmo uma forma de não pagar encargos trabalhistas como na época da cooperativa e o resultado foi o pior possivel.

Segundo ainda as informações, os árbitros que não tem como apresentar a nota fiscal, a entidade estariam sendo pressionados para aderirem ao sistema MEI para que possam cumprir a exigência.

Entenda

Instituído em 2008, pela Lei Complementar nº 128, o MEI quer dizer Microempreendedor Individual que classifica como microempreendedora a pessoa jurídica que fatura até R$ 81.000,00 (oitenta e um mil reais) por ano na condição de pessoa que trabalha sozinho e/ou por conta própria (autônomo) ou que é contratada de outra empresa e recebe até um salário mínimo ou o valor mínimo dentro de sua categoria.

É legal e compreensível a FERJ pedir a comprovação dos seus árbitros, porém nem todos os profissionais que prestam serviços a entidade na arbitragem pode emitir nota fiscal. Um desses profissionais são os militares, pois o estatuto dos servidores públicos diz que policiais militares da ativa não podem comerciar, gerenciar ou ser sócios administradores de empresas.

Ocorre que segundo a informação de uma pessoa dentro da FERJ e checada com um árbitro que pediu para não ter seu nome divulgado por medo de represálias na arbitragem e também onde trabalha, a federação, através de sua comissão de arbitragem, estaria obrigando todos os árbitros que não tem como apresentar a nota fiscal a aderir ao MEI com supostas ameaças de exclusão do quadro ou de ficarem fora das escalas até que atendam a solicitação.

A fonte relata que a entidade estaria exigindo a apresentação da NF antes das partidas e de receberem os valores e que árbitros, até mesmo com escudo internacional, já teriam sido retirados das escalas na véspera e até mesmo no dia da partida por não concordarem ou não terem apresentado a determinação. 

Para tratar do assunto, reforçar sua posição e cobrar os contrários a determinação, a entidade, por ordem expressa de seu presidente Rubens Lopes, convocou reunião para o inicio da noite da última terça-feira (26), mas transferida para esta quinta-feira (28), na sede da entidade no Rio de Janeiro.

Atualizado 28/05/2026 às 18:30: A reunião foi adiada novamente por tempo indeterminado.

Jorge Rabello: "O resto é 'estória' dos 'asininos' de sempre" - Crédito: Divulgação

O Blog entrou em contato com Jorge Rabello, presidente da comissão de arbitragem da FERJ. Como resposta, Rabello sugeriu uma pesquisa insinuando que os árbitros do quadro CBF e das demais federações do país seriam todos eles participantes do sistema MEI. Rabello ainda usou uma narrativa ficcional ou imaginária para encerrar a mensagem.

“O resto é “estória” dos “asininos” (asnos) de sempre” – disse o dirigente.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Árbitro é cortado da Copa do Mundo após denúncia de abuso sexual contra menor

Rob Dieperink atuaria como VAR na Copa - Crédito: Divulgação

A FIFA retirou o árbitro holandês Rob Dieperink da equipe de arbitragem da Copa do Mundo de 2026 após acusações de agressão sexual contra ele envolvendo um menor de idade em Londres.

O profissional atuaria como VAR na competição. A informação inicial foi do jornal holandês De Telegraaf.

O episódio que gerou a denúncia relacionada ao árbitro ocorreu em abril deste ano, logo após a partida entre Crystal Palace e Fiorentina, pela Liga Conferencia UEFA, em que Dieperink trabalhou justamente no VAR. Segundo informações divulgadas pela imprensa europeia, o árbitro foi detido e interrogado pelas autoridades inglesas.

De acordo com a investigação, Dieperink teria levado um jovem de 17 anos para o quarto de hotel que estava hospedado onde teria ocorrido atos sexuais sem consentimento.

O adolescente procurou a polícia durante a partida, e os agentes detiveram e interrogaram Diaperink. Horas depois ele foi liberado.

A Justiça arquivou a denúncia de agressão sexual por falta de provas, mas a FIFA optou por retirar Dieperink da Copa do Mundo. A entidade não detalhou oficialmente os motivos da decisão, mas a medida foi tomada em meio à repercussão internacional do episódio.

A saída de Dieperink acontece poucos meses antes do início do Mundial e reforça a política mais rígida adotada pela FIFA em casos que envolvam suspeitas de má conduta fora das quatro linhas.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Clubes vetam e impedimento semiautomático é adiado no Brasil

Samir Xaud e Christopher Dougan (Genius) - Créditos: CBF/Divulgação

No final do ano passado, a CBF - Confederação Brasileira de Futebol -, anunciou a implantação do impedimento semiautomático a partir de 2026. O anúncio foi feito pelo presidente Samir Xaud durante encontro do Grupo de Trabalho de Arbitragem da entidade. O evento contou com apresentação da Genius Sports, empresa escolhida para fornecer a tecnologia e que atende grandes ligas, como a Premier League inglesa.

Na ocasião, a CBF alardeou que a tecnologia estaria disponível já a partir da primeira rodada do Campeonato Brasileiro da Série A de 2026 e também da Copa do Brasil. Desde então já se passaram sete meses e a tecnologia não saiu do papel e, apesar de já ter sido instalado o sistema em alguns estádios, provavelmente só será utilizado na temporada 2027, quando todos os estadios estiverem habilitados, ou seja, com um ano de atraso.

O contrato para a implantação do impedimento semiautomático - SAOT (Semi-Automatic Offside Technology, na sigla em inglês) - no futebol brasileiro, foi assinado em novembro de 2025. Conforme o documento, a Genius teria até o dia 10 de janeiro de deste ano para emitir o certificado SAOT para todos os estádios dos clubes que disputam as duas competições.

O Blog apurou que Arena Maracanã, Couto Pereira, Arena da Baixada, Arena Corinthians, estádio de São Januário, Arena MRV e Arena do Grêmio já estão com a tecnologia instalada.  Os próximos a receberem os equipamentos serão o estádio do Beira-Rio, Arena Mineirão e Arena Fonte Nova.

Impedimento semiautomático - Crédito: Divulgação

Segundo uma fonte próxima a comissão de arbitragem da CBF, pressionada pelos recorrentes erros de arbitragem, a entidade cogitou a possibilidade de utilizar o sistema à partir da 16ª rodada que será disputada neste final de semana, mas os clubes, em sua grande maioria, votaram contra, pois o sistema só foi implantado em alguns estádios. Por conta disso, o sistema de impedimento semiautomático foi postergado para os jogos após a Copa do Mundo.

O impedimento semiautomático faz parte do plano de profissionalização da arbitragem brasileira desenhado pelo GT – grupo de trabalho da arbitragem -, capitaneado por Netto Góes, que, como gestor da Federação Amapaense de Futebol (FAF), dava calotes nos árbitros do seu estado só pagando as taxas com anos de atraso (leia). 

A profissionalização até agora não saiu do papel, pois, apesar de um grupo restrito estarem recebendo salário fixo mediante apresentação de NF, os árbitros não se profissionalizaram, continuam tendo a arbitragem como ‘bico’ e esperam pelo ranking e as demais promessas feitas na reunião de novembro até agora não cumpridas, que estão atrasadas assim como o impedimento semiautomatico.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Sindicato de árbitros aciona FERJ na justiça em ação de 300 mil reais

Blog do Marçal

O Sintrace/RJ - Sindicato dos Trabalhadores e Colaboradores da Arbitragem Esportiva do Estado do Rio de Janeiro, conforme carta sindical, entidade representativa dos profissionais de arbitragem esportiva daquele estado, está acionando a FERJ – Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, numa ação civil pública onde pede reparação nas taxas de arbitragem e indenização de 300 mil reais.

Na ação, a entidade sindical busca estabelecer tratamento remuneratório isonômico entre os profissionais de arbitragem. A ação busca equiparar as taxas dos árbitros que atuem na mesma divisão e fase da Série A do campeonato carioca. Como é de conhecimento publico, a FERJ adota, a décadas, três faixas diferentes de pagamento das taxas de arbitragem nas partidas do estadual, que são: times médios contra times médios, time grande contra time médio e time grande contra time grande.

O sindicato alega que a diferenciação não guarda relação com as diferentes fases do campeonato, mas sim de diferentes jogos realizados na mesma fase. Ou seja, os profissionais exercem as mesmas funções, com a mesma duração da atividade, mesmas responsabilidades técnicas em partidas que geram diferentes pagamentos em uma mesma fase da competição.

A entidade ainda diz que os critérios estabelecidos para as diferentes faixas de pagamento não se dão com relação à experiência ou qualificação dos profissionais de arbitragem, como a diferença entre um árbitro FIFA e outro do quadro local, tempo de atuação, etc.; mas tão somente com relação às equipes integrantes da partida como mostra o gráfico com as taxas de arbitragem abaixo.

Gráfico que mostra faixas com taxas diferentes na mesma fase do carioca 2026

O documento aponta ainda que nada impede que uma partida entre duas equipes com menos torcida não seja uma partida tão complexa quanto um “clássico” entre dois grandes times e cita como exemplo reportagem com estatísticas que aponta as equipes consideradas médias com maior quantidade de cartões amarelos e vermelhos no carioca de 2025.

Amparada pelos fatos e farta documentação, a ação pede que seja declarada a violação à isonomia remunatória por parte da FERJ. Pede ainda o pagamento de um mesmo valor em todos os jogos de uma mesma competição em caso de mesma fase do campeonato, não estabelecendo a distinção de taxas em razão dos clubes disputantes da partida.

A ação protocolada ainda pede R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) como forma de compensação por danos morais coletivo e o pagamento retroativo da diferença não paga nas taxas de arbitragem dos últimos cinco anos.

Trechos da ação - Fonte: Sintrace/Divulgação

A ação - 0100532-08.2026.5.01.0037 - tramita na 37ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, com audiência virtual marcada para ocorrer às 13:05h do dia 29 de junho do presente ano.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Com 1,9 bilhão no caixa, CBF teve déficit de R$ 182 milhões em 2025

CBF - Divulgação

Segundo balanço aprovado na última segunda-feira (27), a CBF fechou o ano de 2025 com déficit de R$ 182 milhões. Gastos com a seleção brasileira, com as demais competições promovidas pela entidade, com altos salarios de dois técnicos e o processo do Icasa explica essa temporada no vermelho. Também contou o fato da queda de receita nos direitos de transmissão neste ano, sendo que em 2024 o superávit alcançou R$ 107 milhões.

A diretoria da CBF não demonstrou preocupação na reunião com o déficit apontado, mesmo esperando o mesmo em 2026. Primeiro porque a entidade tem R$ 1,9 bilhão em caixa e segundo que o novo contrato da Nike e de outros patrocínios terão efeito em 2027 quando a situação será revertida como espera os dirigentes.

Em 2024 a receita operacional da CBF foi de 1,302 bilhão e fechou 2025 em R$ 1,193 bilhão. A redução deve se principalmente por conta do contrato de transmissão da Série B onde a entidade recebia mais de 200 milhões que repassava integralmente aos clubes. Agora o contrato é diretamente com a FFU (Futebol Forte União).

Houve também pequena queda do valor de patrocínio já que o número de parceiros em 2025 tinha sido reduzido, mas cresceu novamente para 2026. Além disso, houve aporte com antecipação de valores do contrato da Nike com dois anos antecipado e recebidos em 2024. Por isso, mesmo com os seguidos déficits, o acúmulo de quase R$ 2 bilhões no caixa da entidade.

Pelo novo contrato firmado com a gigante do setor esportivos, a partir de 2027, a CBF passará a receber em torno de US$ 100 milhões (R$ 500 milhões) por ano da Nike, o triplo da arrecadação atual. A distribuição dessa grana, nem sempre de forma republicana, também não parou de aumentar chegando a quase 100 milhões nas despesas em 2025. O valor que era de R$ 1,078 bilhão em 2024, subiu para R$ 1,166 bilhão no ano passado.

A contratação de Carlo Ancelotti (com salário mensal de R$ 5 milhões), aumentos de investimentos na Copa do Brasil, na Série D e no deficitário futebol feminino, ajudaram a gerar esse incremento. Além do atual técnico, a CBF também está pagando o salário de 1 milhão mensal do demitido Dorival Jr, o que deve ocorrer até dezembro de 2026 conforme acordado entre as partes. Além do salário, o ex-técnico recebeu cerca de 15 milhões de multa rescisória.

Dorival tem direito a receber o valor mensal mesmo treinando outro clube, como aconteceu quando dirigiu o Corinthians. O contrato original, assinado em janeiro de 2024, previa um salário de 2 milhões mensais até a Copa do Mundo. A mudança para 1 milhão mensal é parte do acordo de rescisão firmado após sua saída.

A previsão da CBF é que as despesas aumente em 2026: há custos do VAR, do impedimento semi-automático, da profissionalização da arbitragem e das novas competições regionais. Mas o maior impacto no déficit foi o processo ganho pelo Icasa contra a entidade pelo rebaixamento de 2013. O clube alegou que a entidade cometeu um erro que impediu sua ascensão para a Série A apesar do Figueirense ter escalado um jogador de forma irregular.

Neste ano, a Justiça comum deu ganho de causa ao clube cearense. A CBF teve de pagar R$ 80 milhões para o Icasa, valor que foi quitado pela confederação. Só isso explica boa parte do déficit.

O orçamento aprovado prevê novo déficit de R$ 200 milhões em 2026. A intenção é equilibrar as contas em 2027.