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quinta-feira, 13 de junho de 2024

ABRAFUT indica flamenguista como representante dos árbitros no STJD; ANAF promete ir a justiça

Rodrigo Aiche Cordeiro, indicado da Abrafut ao Pleno do STJD - Crédito: Instagram

No início de junho deste ano, a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), através do oficio 07/24, cobrou do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), documento para que a entidade indicasse um representante para compor o pleno do órgão. A data limite para as indicações termina nesta sexta-feira (14/6).

Ocorre que o ofício do STJD solicitando a indicação da categoria foi enviado à Associação de Árbitros de Futebol do Brasil (Abrafut), que inclusive já escolheu o seu representante, o advogado Rodrigo Aiache Cordeiro, atual presidente da seccional do Acre da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/AC.

Por trás dos fatos e nos bastidores há uma queda de braço política entre a ANAF e a Confederação Brasileira de Futebol que envolve poder e muito dinheiro. O rompimento ocorreu logo após o atual presidente Ednaldo Rodrigues assumir a presidência da CBF e suspender os repasses mensais de R$ 30 mil referentes a parte dos patrocínios estampados nos uniformes da arbitragem. Com esse valor a entidade dos árbitros se mantinha ativa e ajudava árbitros e sindicatos.

Oficio da ANAF cobrando STJD

Corre uma ação na justiça, já em grau de ultima instancia, no TST – Tribunal Superior do Trabalho – que envolve muito dinheiro, poder e liberdade para a entidade classista gerir assuntos da categoria caso seja mantido a decisão de primeira instancia em favor da entidade dos árbitros. A CBF afirma, no recurso, que passou a fazer acordos individuais, principalmente por conta do documento que passou a exigir desde 2017 dos árbitros onde estes cedem o direito de imagem nas competições da entidade por 20 anos. Mas a discussão está parada na Justiça certamente por influência da CBF sabedora que dificilmente sairá vencedora deste pleito.

Foi neste cenário que a Abrafut nasceu em 2023, segundo muitos sob ordens da CBF. A entidade chapa branca foi fundada por integrantes do quadro nacional, como Anderson Daronco, Raphael Claus, Edina Alves, Wilton Sampaio entre outros e conta atualmente com cerca de 500 membros, todos do futebol profissional, passando a ser, como planejado, a entidade de classe reconhecida pela CBF.

A ANAF alega em seu pedido para a indicação que dois de seus indicados estão na formação atual do pleno, o vice-presidente Felipe Bevilacqua e o procurador-geral Ronaldo Piacente. A entidade, também, sempre foi a representante dos árbitros, mas os argumentos não foram aceitos pelo atual presidente José Perdiz, ligado a CBF.

Oficio da ANAF cobrando STJD

O Blog procurou o presidente da ANAF para que falasse sobre este assunto. Salmo Valentim não foi localizado, mas uma pessoa próxima disse que a entidade vai reivindicar via justiça o direito da indicação e que, caso saia vencedora, o indicado será o ex-árbitro FIFA Gutemberg de Paula Fonseca, que desde que deixou a arbitragem vem atuando na política e atualmente é o Secretário de Defesa do Consumidor do Governo fluminense e vem prestando relevantes serviços a entidade e aos árbitros nos bastidores.

O Blog entende que é direito da ANAF lutar pela indicação ao pleno do órgão máximo da esfera esportiva tendo em vista que tem histórico de quase três décadas representando os árbitros e não pode ter esse direito cassado por uma entidade fundada pela CBF para seus interesses próprios.  O indicado da Abrafut/CBF, o advogado Rodrigo Aiche, não tem qualquer ligação com o futebol, a não ser torcer fervorosamente pelo Flamengo o que certamente comprova a indicação politica.

Já o indicado da ANAF, Gutemberg Fonseca, atuou mais de uma década como árbitro tendo chegado ao quadro FIFA e até hoje atua em prol da categoria, o que torna a indicação mais que justa e merecida e sem dúvidas a melhor indicação da entidade desde que passou a ter esse direito.

Gutemberg de Paula Fonseca, o indicado da ANAF para STJD - Credito: ESPN

O Blog procurou Marcelo Carvalho Van Gasse, presidente da Abrafut onde perguntou sobre a indicação de Rodrigo Aiche e qual a relação dele com a entidade e com a arbitragem. O Blog também perguntou se a indicação era política, se foi por pedido da CBF e qual ganho traria para a categoria, mas, mesmo tendo visualizado a mensagem, Van Gasse, como das outras vezes em que foi procurado, não respondeu a mensagem e este post será atualizado caso responda.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Árbitro FIFA morre após agressões com voadora e murro na nuca

Foto crédito: Reprodução Youtube

O FC Tanganyika eliminou o OC Renaissance nas quartas de finais da Taça do Congo e os torcedores da equipa perdedora descarregaram a sua raiva no árbitro da partida, do quadro FIFA, que, segundo informações da imprensa local e do Portal português 'O Jogo', teria morrido após as agressões.

A partida, com placar de 1 a 1, transcorria sem maiores novidades até os 83 minutos quando foi paralisada por conta de pedras jogadas no assistente de arbitragem e invasões de torcedores. Após nove minutos de paralização, a equipe de arbitragem decidiu reiniciar a partida, mas o clima tenso só piorava. Com o empate a partida foi decidida através das penalidades que, antes mesmo de terminarem e com provável vitória do Tanganyika que liderava a disputa, torcedores invadiram o campo e agrediram o árbitro.

As imagens do vídeo (abaixo) que circula na internet e que o Blog teve acesso, mostra o árbitro, durante a disputa de penalidades, sendo agredido violentamente em sua nuca por pelo menos duas vezes. Na primeira, durante cobrança de penalidades para decidir o vencedor da partida, vários torcedores invadem o campo e um deles acerta uma voadora na nuca do árbitro e a segunda logo depois de ser perseguido por torcedores e já estando entre policiais, sendo agredido com um murro, também na nuca por um outro torcedor. Na verdade, dois bandidos e agora, caso se confirme a morte do árbitro, criminosos transvestidos de torcedores.

Crédito imagens: Twitter

Na sequência do vídeo, as imagens mostram o árbitro sendo atendido desfalecido deitado no chão no vestiário da equipe vencedora entre jogadores comemorando a classificação para a semifinal da Copa do Congo. Infelizmente, apesar dos esforços para salvar sua vida, o árbitro, que não teve seu nome revelado, não resistiu aos ferimentos e acabou por falecer.

Cenas covardes e lamentáveis que infelizmente terminaram ceifando a vida de um trabalhador, mas acima de tudo, de um ser humano que, possivelmente é pai de família, que possivelmente levava através da arbitragem o sustento para sua família e não merecia ser agredido violentamente como foi vindo a perder sua vida.

Árbitro desfalecido após agressão - Crédito: Reprodução Twitter

Reações e Consequências

O incidente provocou uma onda de choque e indignação no mundo do futebol. As autoridades locais e a federação de futebol do Congo prometeram uma investigação rigorosa para identificar e punir os responsáveis por este ato brutal. A segurança em eventos desportivos tem sido uma questão crítica, e este trágico evento destaca a necessidade urgente de medidas mais eficazes para proteger os árbitros e jogadores.

A morte do árbitro no Congo é uma tragédia que deve servir como um alerta para a necessidade de reforçar a segurança nos eventos desportivos. O futebol, que une milhões de pessoas ao redor do mundo, não deve ser manchado por atos de violência. A comunidade esportiva internacional deve unir-se para garantir que incidentes como este nunca mais aconteçam.

O Blog repudia e lamenta o ocorrido torcendo para que as autoridades do país identifiquem os agressores bandidos e criminosos para que todos eles apodreçam na prisão.

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Presidente da Comissão de Arbitragem do Tocantins é acusado de ter estuprado aluna de curso de árbitros

Adriano de Carvalho - Imagem: Divulgação - TV Jovem/Rede Record

O ex-árbitro e atual presidente da Comissão de Arbitragem do Tocantins, Adriano de Carvalho, é acusado de ter estuprado uma aluna do curso de árbitros da Federação Tocantinense de Futebol. Segundo reportagem veiculada, na última terça-feira, 28 de maio, pela TV Jovem, afiliada da Rede Record em Tocantins e informações contidas no Boletim de Ocorrências (BO) registrado em março, na 10ª Central de Atendimento da Polícia Civil, em Miracema, o caso teria acontecido durante a etapa de Guaraí. A polícia informou que as investigações estão sendo conduzidas pela 48ª Delegacia de Polícia (48ª DP - Guaraí).

O suspeito do ato é o presidente da Comissão de Estadual de Arbitragem do Tocantins (CEAF/TO), Adriano de Carvalho. O nome da vítima não foi divulgado, o caso está sob segredo de justiça, mas o Blog apurou com fontes em Tocantins que a vitima estava realizando o curso de arbitragem oferecido pela FTF deste ano. Os treinamentos foram realizados em Palmas e Guaraí.

A TV Jovem falou com a suposta vítima, de 31 anos, que prefere não ser identificada e teve acesso ao seu depoimento na polícia e a um exame pericial. Conforme a reportagem, a mulher, que seria da capital Palmas, afirma que veio para Guaraí participar de um curso de formação para novos árbitros e que o acusado lhe ofereceu carona onde, no carro, recebeu as primeiras investidas, mas que o suposto estupro teria ocorrido no hotel em Guaraí, onde ficaram hospedados.

A vitima diz estar passando por acompanhamento psicológico e psiquiátrico depois do ocorrido.

“Depois deste estupro a minha vida acabou. Não existe dinheiro no mundo que pagaria o que ele fez na minha vida. Ele destruiu tudo em mim, me paralisou, pois estrava em busca de mudar de vida, mas aconteceu tudo oposto” – disse a vítima.

A vitima ainda disse que tem crises forte de choro, que tem medo de tudo e que não sai mais sozinha. Disse também que Adriano aproveitou do seu interesse pelo curso para abusar dela.

“Esse cara não tem profissionalismo, ele se aproveitou da minha ingenuidade e do meu interesse pelo curso”.

Segundo a matéria, os laudos dos exames realizados pela vitima, que a reportagem teve acesso, apontaram rompimento do hímen e que Adriano de Carvalho teria entrado no quarto em que a mulher estava hospedada sem autorização e forçado uma relação sexual. A amostra de sêmen está em análise pelos investigadores.

Veja abaixo a reportagem da TV Jovem/Rede Record.

Crédito vídeo TV Jovem/TO - Rede Record

Quem é Adriano de Carvalho

Adriano de Carvalho tem 53 anos (28/11/1970), é educador físico, nasceu em Santo Antônio da Platina, no Paraná, onde se formou árbitro de futsal aos 17 anos, categoria que atuou por 34 anos. Mudou-se para Tocantins ainda muito jovem, onde se tornou árbitro de futebol nos anos 90. Hoje mora na Capital Palmas e desde 2016 é o Presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Tocantinense de Futebol e assessor de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Após as denúncias, Adriano que estava escalado na partida Manaus e Flamengo, pela Copa do Brasil, foi retirado das escalas da CBF. A Federação Tocantinense de Futebol divulgou nota oficial onde diz estar ciente do caso e das acusações e que, de forma serena, aguarda as investigações para tomar providencias. Até a publicação deste post, Adriano constava como Presidente da CEAF/TO.

O que eles disseram

O Blog entrou em contato com Adriano via WhatsApp para que se pronunciasse sobre a denuncia, mas não recebeu respostas até a publicação desta matéria e caso isto ocorra, este post será atualizado.

Veja o que ele disse a a imprensa local.

"Tenho 23 anos de trabalho no Tocantins. Não posso falar mais nada porque está em segredo de justiça. No momento certo vou provar a minha inocência"- afirmou Adriano de Carvalho.

O que diz a FTF

"A Federação Tocantinense de Futebol (FTF) comunica que está ciente do suposto envolvimento do presidente da Comissão de Arbitragem, Adriano de Carvalho, em uma ocorrência policial e está acompanhando atentamente a situação. Em conformidade com os valores de integridade e transparência que regem o esporte, a FTF reitera seu compromisso em agir de acordo com os princípios éticos do futebol brasileiro.

Estamos aguardando o desenrolar dos fatos para obter uma compreensão aprofundada da situação e tomar as mediadas apropriadas, caso necessário. Reforçamos a importância do respeito às normas e da preservação da ética em todas as esferas do futebol. Agradecemos a compreensão da imprensa e da comunidade esportiva neste momento delicado."

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Morte de árbitro em teste físico no RJ:  FERJ cria comissão abafa

Feliphe da Cunha Oliveira Cabral da Silva - Foto crédito: Internet/Instagram

A FERJ - Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro - anunciou a criação de uma comissão para apurar a morte do árbitro Feliphe da Cunha Oliveira Cabral da Silva, de 30 anos, na semana passada. Feliphe passou mal durante teste físico realizado no sábado (4/5) e morreu cinco dias depois e segundo testemunhas, que também realizaram os testes, teve seu socorro negligenciado, que inclusive pode ter contribuído decisivamente para sua morte.

Fazem parte da Comissão Especial de Sindicância Administrativa (CESA) Felipe Bevilacqua, Auditor do Pleno do STJD - Superior Tribunal de Justiça Desportiva -; Cláudio Roberto Pierucceti Marques - Procurador do Estado do Rio de Janeiro; Dilson Neves Chagas - Auditor do Pleno do Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Rio de Janeiro -; Ana Beatriz Busch Araújo - Coordenadora Médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU/RJ -; Emanuel Godoi - Diretor do Departamento de Medicina e Saúde da FERJ e Salmo Valentim - Presidente da Associação Nacional dos Árbitros Futebol (ANAF).

Quando se cria uma comissão e abre uma sindicância o que menos se quer de verdade é apurar algo. Essa sindicância criada pela FERJ não tem outro objetivo a não ser mascarar os fatos e deixar o tempo passar para que a morte do árbitro, sob serviço da FERJ, caia no esquecimento.

O árbitro Feliphe da Cunha Oliveira passou mal no sábado, ficou cinco dias internado entre a vida e a morte perambulando por um hospital e outro, enfrentou a falta de estrutura da saúde e o descaso da FERJ que, não só o abandonou, mas ignorou seu problema grave de saúde e só confirmou o incidente horas após ser noticiado nas redes sociais do jornalista Marçal. Feliphe morreu na quarta-feira de manhã, fato noticiado às 15:47h no site www.apitonacional.com.br e nas redes sociais do Marçal, mas a morte só foi noticiada e confirmada pela FERJ às 20:41 no site oficial da entidade. Até então a Federação permaneceu em silêncio, não tomou nenhuma providência e sequer confirmou a morte, o que teria passado despercebido não fosse as redes sociais.

Paulo Barroso - Instrutor físico FERJ - Foto crédito: Úrsula Nery/FERJ

Ao convidar representantes da sociedade civil e de entidades do futebol, como ANAF, TJD/RJ,  STJD e SAMU, a FERJ só quer criar fatos para fugir das responsabilidades e principalmente de ser responsabilizada civilmente pela morte arcando com indenização milionária para a família do jovem árbitro que morreu estando a serviço a FERJ.

O que é de se estranhar mais ainda são as entidades, que devem ser sérias, se prestarem a este serviço com claro objetivo de dar credibilidade para a FERJ tendo em vista que é um assunto estadual, pois o árbitro não é do quadro nacional e não se enquadra nos possíveis representados da ANAF conforme estatuto social desta entidade e mesmo caso fosse, não seria, pois hoje está entidade, que já foi respeitada e a maior da categoria no país, não tem um quadro associativo para representar. O mesmo se aplica ao STJD e ao SAMU, pois a ambulância que estava prestando assistência nos testes, era contratada e não tem qualquer relação com o órgão de serviço de atendimento móvel de urgência.

Feliphe morreu, já está enterrado e sua família chora e sofre sua ausência, mas a FERJ e outros usam seu cadáver de forma midiática com a clara intenção de mostrar uma preocupação que não tiveram no momento que este passou mal e nem com sua morte dias depois. 

Este Blog espera que a justiça, a de verdade, não a formada por ‘amigos’ da FERJ, apure todo ocorrido, como as denúncias que chegaram ao Blog onde teriam deixado Feliphe desacordado dentro da ambulância minutos cruciais esperando pelo fim dos testes para ser levado até o hospital. Segundo informações, as justificativas dadas por Paulo Barroso, instrutor físico do DEAF e responsável pelos testes, teriam sido que caso a ambulância fosse para o hospital e se ausentasse do local dos testes, este teria que ser paralisado por falta de ambulância.

A denúncia é muito grave e, caso tenha ocorrido de fato, pode ter contribuído decisivamente para a morte do árbitro.

Deixem Feliphe descansar em paz!

terça-feira, 7 de maio de 2024

Marçal Mendes aciona MPT e FERJ recua em veto a árbitros na várzea

A FERJ - Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, recuou de uma decisão de seu departamento de arbitragem, tomada em março deste ano, onde proibia os árbitros de atuarem na várzea carioca ou em qualquer outra competição que não fosse por ela organizada. O recuo se deu por conta de ação do Ministério Público do Trabalho (MPT), que sinalizou com punições. O órgão de justiça foi acionado por Marçal Mendes que protocolou denúncia contra a decisão da entidade carioca.

Ao ser noticiada para que prestasse esclarecimentos sobre a denúncia pelo órgão de justiça, a FERJ respondeu que já havia revogado posicionamento ensejador e que inclusive já tinha repassado a informação no grupo de WhatsApp dos árbitros que fazem parte do quadro.

Ou seja, ao sentirem a possibilidade de punição por conta do MPT, a FERJ não teve outra alternativa a não ser recuar.

O Blog solicita que caso alguém tenha esse comunicado da FERJ recuando da decisão, que envie para ser aqui postado e ficar registrado para que esse absurdo não se repita nesta ou em qualquer outra federação no futuro. 

Sei dos riscos, mas o anonimato, como sempre, será garantido.

Entenda

No início de março deste ano, este veículo denunciou que a FERJ - Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, através do seu Departamento de Arbitragem de Futebol (DEAF), comandada por Jorge Fernando Rabello, em comunicado, proibiu os árbitros que fazem parte do quadro estadual daquela entidade de atuarem em qualquer competição que não seja por ela organizada, especialmente as do futebol amador e da várzea (Leia).

Procurado pelo Blog na época, Jorge Fernando Rabello disse que a decisão não era pessoal e sim factual e que sempre existiram.

“Novidade zero em relação a isso” - disse ele que acrescentou:

“Árbitros do quadro estadual não podem participar de competições não organizadas pela FERJ conforme estabelecido no RGC, RGE e RGA da entidade. Na contra aqueles que decidirem ao contrário, mas para cada escolha existe uma renúncia" - frisou Rabello sem admitir qualquer possibilidade de recuar da decisão.

O Blog também procurou Marçal Mendes – Presidente do Sintrace - Sindicato dos Trabalhadores e Colaboradores da Arbitragem Esportiva no Rio de Janeiro -.

“É bem nítida a vontade pessoal do responsável pela arbitragem da FERJ em tomar para si a posse do trabalho da categoria.

“Tal veto é inconstitucional. É abuso de poder. A conduta abusiva precisa ser investigada pelo MPT – Ministério Público do Trabalho - e as providencias já estão sendo tomadas pelo Sintrace nessa direção” – disse Marçal Mendes.

Como publicado acima, mais uma vez Marçal Mendes, através de seu sindicato, o Sintrace, que inclusive conta com carta sindical, atua na defesa dos interesses dos árbitros ofuscando entidades fantasmas, falidas, moribundas e chapa branca que só servem para interesses próprios de seus dirigentes, verdadeiros lacaios e subservientes do poder de plantão.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Federação Paulista premia ‘politicamente’ os melhores do Paulistão 2024

Crédito: FPF

A Federação Paulista de Futebol realizou ontem à noite (8), em uma casa noturna da zona norte de São Paulo, a premiação dos melhores do Campeonato Paulista de 2024. A FPF politicou e desmereceu sua própria competição ao premiar maioria de jogadores do Santos – seis contra três do Palmeiras -, que chegou a uma final oito anos depois da última decisão (2016) e foi rebaixada a Serie B nacional no fim do ano passado em vez de premiar os jogadores e valorizar a equipe do Palmeiras que se tornou tricampeã paulista e vem colecionando títulos atrás de títulos nos últimos anos.

Na arbitragem não foi diferente. Falando somente do profissional, deu o prêmio de melhor ao árbitro Flavio Rodrigo de Souza, bom árbitro sem dúvidas nenhuma, mas infinitamente inferior a Raphael Claus, não só nesse campeonato, mas na vida toda como profissional do apito e na próxima vida com certeza caso exista e sejam árbitros novamente. O ‘Ratão’ – Como Claus é conhecido em Santa Barbara -  com sete finais seguidas no currículo, onze partidas nesse ano, incluindo a final e três a mais que Flavio Souza, foi o terceiro colocado atrás até de Edina Alves que mesmo com suas polêmicas na carreira, atuou em 10 partidas.

Imagens: FPF/TV

Não se sabe, além da bolsa de estudo, qual foi a premiação desses profissionais. Aliás, a FPF deveria fazer como faz com os clubes quando divulga a premiação deles e além de tornar transparente, também divulgar os critérios para que não fiquem duvidas sobre as escolhas dos melhores e os motivos. A desse ano, analisando todos os números disponíveis, ficou claro que não foi por critérios técnicos e talvez tenham sido políticos ou sabe se lá qual ou por que! Eu não sei. Alguém sabe?

Até pouco tempo atrás o melhor árbitro ganhava 300 mil e outros 150 mil eram divididos entre os assistentes. Aliás, durante a pandemia do corona vírus, foi sugerido pelo então presidente do Sindicato dos Árbitros – Aurélio Sant’Anna, que esses valores, em vez de serem pagos aos melhores da competição, que  fossem revertidos em cestas básicas e distribuídos para árbitros que estavam passando necessidades na ocasião por falta de jogos devido a paralização da maioria das competições.  Mas o pedido foi vetado por Reinaldo Carneiro Bastos, presidente eterno da FPF que diz se preocupar com os árbitros, mas que na verdade essa preocupação não vai além da sua entidade e da cor da armação de seus óculos.

Homenagem a um condenado

Para fechar a cerimonia com chaves de ouro e escancarar seu apoio a um condenado da justiça, a FPF homenageou José de Assis Aragão, ex-árbitro FIFA e atual Presidente do Sindicato dos Árbitros de São Paulo e aliado de Reinaldo Bastos de longa data.

Em 24 de junho de 2021, como noticiou com provas, o Blog do Paulinho, o ex-árbitro José de Assis Aragão foi condenado por improbidade administrativa ocorrida durante sua gestão no estádio do Pacaembu cuja pena inclui ressarcimento dos cofres públicos (R$ 585,5 mil – o valor inicial era de R$ 210 mil); perda de função pública; suspensão dos direitos políticos por quatro anos; multa de 20% sobre os danos ocasionados (R$ 117,1 mil); proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios, incentivos fiscais e creditários, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica, pelo prazo de três anos.

Esse é o tipo de pessoa que merece ser homenageado pela FPF cujo presidente também deve ter seus esqueletos no armário e quem sabe dia desses eles não dão sinal de vida né!

Essa dupla se merecem e a arbitragem merece ser comandada por esse tipo de gente.

quarta-feira, 20 de março de 2024

TCU questiona CBF por importação de uniformes para árbitros com isenção de impostos

Compra foi feita com isenção de impostos pela entidade que dirige o futebol, com aval do Governo Federal

A italiana Macron fornece uniformes dos árbitros desde inicio 2023 - Crédito: CBF

Segundo reportagem de Fabio Zanini, do Painel Folha, o Tribunal de Contas da União pediu explicações ao Ministério do Esporte e à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) sobre a importação de uniformes de arbitragem no ano passado com isenção fiscal.

A CBF - Confederação Brasileira de Futebol - fechou no inicio de 2023, acordo milionário, com duração de quatro temporadas, com a empresa italiana Macron, que também fornece uniformes de árbitros para algumas ligas europeias e para a UEFA. Segundo informações de bastidores, não confirmados por conta de sigilo comercial, as somas do acordo ultrapassam os 20 milhões de reais.

A CBF responde ação movida pelo Ministério Público do Trabalho, que está parada no TST - Tribunal Superior do Trabalho -, questionando a legalidade de acordos realizados pela entidade do futebol em nome dos árbitros e sobre uso das imagens desses profissionais, tendo em vista que prestam serviços autônomos com devida representação sindical.

A medida questionando a isenção foi tomada após representação feita pelos deputados federais André Fernandes (PL-CE) e Fabio Schiochet (União-SC), que apontaram possível prejuízo de R$ 4 milhões na compra das peças sem cobrança de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e PIS/PASEP-Importação.

Isenção autorizada pelo Ministério do Esporte teve aval do Governo Lula - Crédito: CBF

A importação com isenção foi autorizada pelo ministério em novembro do ano passado. Os parlamentares apontam que, embora a CBF se declare uma entidade sem fins lucrativos, tem relacionamentos com grandes patrocinadores e "players" do mundo do futebol, com importante atividade comercial.

A entidade diz ter faturado R$ 1,2 bilhão em 2022, último dado disponível, maior cifra da sua história.

No último dia 11 de março, uma auditoria da área técnica do TCU identificou "lacuna de informações consideradas relevantes para compreensão do rito de avaliação da concessão requerida".

Em outras palavras, o ministério não detalhou, segundo a corte de contas, o processo que levou à concessão da isenção fiscal para a CBF. O TCU determinou que a pasta e a entidade que controla o futebol brasileiro se expliquem no prazo de 15 dias.

Em nota, o Ministério do Esporte afirma que a decisão de conceder isenção à compra de uniformes pela CBF foi tomada por sua consultoria jurídica e amparada na lei.

Presidente da CBF e membros da Comissão de Arbitragem anunciando patrocínio - Crédito: CBF

A pasta cita o decreto 6.759, de 2009, que autoriza, no artigo 183, "isenção para bens a serem consumidos, distribuídos ou utilizados em evento esportivo". De acordo com a pasta, não há necessidade de consulta prévia à Receita Federal.

Procurada pelo reportagem, a CBF não se manifestou e este post será atualizado caso isso ocorra.

terça-feira, 5 de março de 2024

FERJ exige exclusividade e proíbe árbitros de atuarem na várzea carioca

Reunião do DEAF/FERJ - Foto crédito: FERJ

O DEAF - Departamento de Arbitragem de Futebol - da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), comandada por Jorge Fernando Rabello, em comunicado, proibiu os árbitros que fazem parte do quadro estadual, atuarem em qualquer competição que não seja da entidade, especialmente as do futebol amador e da várzea.

O comunicado deixou os árbitros revoltados, pois todos são prestadores de serviços, muitos deles sequer são escalados pela FERJ com regularidade e precisam atuar em outras competições para pagarem suas contas e até mesmo ganharem o sustento da família.

O comunicado foi postado por Roberto Faustino, no grupo de WhatsApp de árbitros - Módulo Profissional -, criado pelo DEAF, que a coluna teve acesso com exclusividade. Também conhecido como Robertinho, Roberto Faustino é aliado de Jorge Rabello de longa data, e atualmente exerce as funções de secretário do departamento de árbitros e analista de arbitragem da FERJ.

“Sou árbitro do quadro estadual da Federação Carioca. Nós árbitros queríamos pedir uma ajuda sua, para tentarmos reverter uma situação muito chata que aconteceu aqui no Rio. O coordenador da arbitragem da FERJ, Sr. Jorge Fernando Rabelo (EX PRESIDIÁRIO), soltou uma nota agora, proibindo os árbitros e árbitros assistentes, de trabalharem em qualquer campeonato que não seja da FERJ. E como todos nós sabemos, muitos ganham mais nas várzeas que na própria federação, até mesmo pelas demandas de jogos. Queremos pedir sua ajuda para postar essa nota, pra ver se ele volta atrás” - disse um árbitro do quadro carioca em mensagem enviada ao Blog ao qual, para evitar retaliações, terá sua identidade preservada.

Print da mensagem obtida com exclusividade do Blog do Marçal

O que eles disseram

O Blog procurou Jorge Fernando Rabello, que oficialmente ocupa o cargo de Coordenador Técnico do DEAF, mas de conhecimento geral que a palavra do dirigente é a ultima quando se trata da arbitragem carioca. Segundo o dirigente, a decisão não é pessoal, é factual e sempre existiram.

“Novidade zero em relação à isso” - disse ele que acrescentou:

“Árbitros do quadro estadual não podem participar de competições não organizadas pela FERJ conforme estabelecido no RGC, RGE e RGA da entidade. Na contra aqueles que decidirem ao contrário, mas para cada escolha existe uma renúncia" - frisou Rabello.

O Blog também procurou Marçal Mendes – Presidente do Sintrace - Sindicato dos Trabalhadores e Colaboradores da Arbitragem Esportiva no Rio de Janeiro -. Segundo Mendes, a mensagem disponibilizada pelo DEAF apenas em grupo fechado de WhatsApp revela a falta de coragem da FERJ para publicar o veto que inclusive carece de norma legal. 

O sindicalista denuncia que os documentos RGC e RGE não estão disponível no site da FERJ.

“É bem nítida a vontade pessoal do responsável pela arbitragem da FERJ em tomar para si a posse do trabalho da categoria. Parece querer os campeonatos apartados daqueles organizados pela FERJ, a título de que? Qual o interesse se não o econômico em escalar árbitros para os campeonatos" – indagou o sindicalista que continuou:

“Tal veto é inconstitucional. É abuso de poder. A conduta abusiva precisa ser investigada pelo MPT – Ministério Público do Trabalho - e as providencias já estão sendo tomadas pelo Sintrace nessa direção” – disse Marçal Mendes.

Marçal Mendes - Sintrace - Foto crédito: Marçal

O sindicalista questiona o local no site onde estão publicados os regulamentos citados por Rabello.

“Outro fato que chama a atenção é onde está publicado o RGA? Tá na gaveta do responsável pelos árbitros?" - diz o sindicato interessado em saber do conteúdo do documento que foi retirado do antigo site da FERJ.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Morte de Marco Martins deixa inúmeros órfãos, inclusive eu

A selfie tirada em sua casa é a que retrata mais fielmente nossa relação de irmãos

Na manhã do ultimo sábado (17), um infarto fulminante tirou a vida do meu grande amigo e irmão Marco Antônio Martins, aos 57 anos de idade. Ironicamente, Martins tinha feito check-up geral da saúde pouco dias atrás sem apresentar qualquer problema além dos normais para a idade.

Marco sentiu dores no peito, foi socorrido pela esposa, mas no caminho para hospital sofreu infarto e veio a óbito. No hospital ainda tentaram reanima-lo, mas as tentativas foram em vão e assim, deixou a esposa, duas filhas e uma legião de pessoas que o amavam.

Marco deixa a esposa (Rosilene), duas filhas (Barbara e Isadora) e inúmeros órfãos, inclusive eu.

Com ele na feira do mês...
Recebi a infeliz noticia no sábado de manhã, pouco depois de sua morte. Estava no município de Rio Formoso, em Pernambuco e decidimos, eu e Salmo Valentim, também amigo pessoal e de longa data de Martins, viajar para o velório. A logística não foi fácil, pois estávamos do outro lado do país e levamos mais de 24 hs, de voo e conexões, para chegar dez minutos antes do enterro. Praticamente não dormimos e não nos alimentamos, mas conseguimos chegar a tempo de prestar nossa ultima homenagem ao nosso amigo-irmão de tantas caminhadas.

Nos últimos 15 anos tive o privilégio de conviver longos períodos ao lado dele, tanto na vida profissional como na pessoal e pude testemunhar seu lado humano, seu caráter, seu profissionalismo, seu comprometimento e a garra com que enfrentou e venceu todas as dificuldades que a vida apresentou.

Líder exemplar, politico nato, conciliador e hábil negociador, combateu o bom combate, ganhou e perdeu batalhas, mas nunca deixou um soldado para trás. 

No churrasco...

Quem era Marco Antônio Martins

Profissional experiente, principalmente como árbitro assistente, Marco Antônio encerrou a sua carreira nos campos em 2011, depois de atuar por 15 anos no quadro da FCF e por 10 anos no quadro da CBF. Durante a carreira, além de atuar como assistente, foi presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de Santa Catarina (Sinafesc) e da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF).

Na FCF, assumiu a função de diretor do Departamento de Arbitragem em junho de 2017, cargo que exercia até sua morte. Em 2018 foi eleito vice-presidente da entidade e reeleito em 2022.

Fora da arbitragem era servidor público concursado - técnico-administrativo em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) onde atuava no Centro de Desportos (CDS). Na UFSC iniciou sua trajetória na Prefeitura Universitária, atuou também como secretário e coordenador administrativo no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) e foi diretor administrativo da Secretaria de Esportes.

e com a esposa Rose

Velório

As 18hs do sábado (17) teve início o velório no Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis, onde foi sepultado as 11 horas do domingo (18), no jazigo da família.

O velório e sepultamento foi triste, mas emocionante pela pessoa que foi e pelo legado deixado por Martins. Centenas de pessoas compareceram ao velório e ao enterro. Além de parentes, amigos e toda arbitragem local, auditores do TJD/SC, dirigentes da FCF liderados pelo presidente Rubens Angelotti, vários dirigentes e amigos de outros estados estiveram presente. Entre eles Sérgio Corrêa, ex-presidente da comissão nacional de arbitragem da CBF, Salmo Valentim, ex-árbitro e atual presidente da ANAF (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol), Giulliano Bozzano, ex-árbitro aspirante FIFA e atual membro da CNA-CBF, Rafael Bozzano, sub-procurador do STJD, Márcio Coruja, ex-árbitro CBF do RS entre outros.

Eu, que também estive no velório, particularmente perdi não só um amigo, mas um irmão que estava comigo nas horas boas, mas que nunca me abandonou nas ruins e em muitas vezes delas confesso, chateado e bravo comigo.

Tomando café da manhã com elas - Isadora, Rose e Bahhh

Mesma a perda sendo dolorosa, o que fica são os momentos que vivi intensamente ao lado de Marco Martins que muitas vezes foi sim meu provedor, meu conselheiro, que me deu a honra e a confiança para conviver em seu lar com sua linda família, mas ao mesmo tempo me cobrava o tempo todo boas atitudes e bons exemplos como alias, todo bom amigo deve fazer.

Enlutado deixo meu pesar por esta morte precoce à esposa, minha amiga Rose, e a suas duas lindas filhas, Barbara e Isadora, que ele tanto amava.  

Descanse em paz meu irmão.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Assédio sexual e moral, espionagem e armas em eleição: a verdadeira face da CBF

Um Big Brother no escritório do presidente com câmeras espionando funcionários, diretores, gerentes, mídia e treinadores. A pesada presença da polícia armada à vista no dia da eleição para intimidar oponentes políticos. Máfia? Bem vindo à CBF

Ednaldo Rodrigues - Foto crédito: Nayra Halm/Fotoarena

Mais uma acusação contra o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ednaldo Rodrigues, surge como uma bomba no meio do futebol internacional. De acordo com o jornalista Lucio de Castro, através de sua Agência Sportlight, em parceria com o portal internacional investigativo, “The Inquisitor”, o gestor baiano está envolvido no que talvez seja o maior escândalo já revelado no interior da entidade: espionagem e assédios moral e sexual.

O jornalista revelou as artimanhas de alguns dirigentes da CBF e relatou os bastidores da entidade. 

Veja a matéria na integra abaixo.

Um Big Brother montado na sala do presidente com câmeras espionando funcionários e diretores. Policiais à paisana armados atuando em dia de eleição para intimidar adversários políticos. Parece a crônica de um filme de máfia. Mas não é. São os bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Episódios ocorridos na atual gestão, do presidente Ednaldo Rodrigues. Tudo isso está em registros judiciais, policiais e do comitê de ética da própria CBF. No fim de 2022, boa parte da estrutura e dos funcionários da CBF havia se mudado temporariamente para o Catar, onde seria realizada a Copa do Mundo.

Com a sede da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, praticamente vazia, Haroldo Aguiar, um dos responsáveis pela área de TI, saiu de seu posto de trabalho e deixou a tela do computador aberta na página do WhatsApp.

Ao passar pela mesa, um funcionário do departamento de Infraestrutura e Patrimônio viu três mensagens enviadas em sequência às 13h57 do dia 10 de outubro daquele ano:

"Câmeras escondidas no restaurante".

"Envia para o setor de compras"?

"Boa tarde".

O autor da ordem: Ricardo Lima, presidente da Federação Bahiana de Futebol e concunhado do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.

O responsável pelo flagrante entendeu rapidamente a dimensão do que viu e fotografou a tela.

Não havia dúvidas: o presidente da maior entidade do futebol brasileiro, uma das mais importantes instituições do esporte mundial, estava montando um esquema de espionagem de seus funcionários e diretores em plena sede.

Um Watergate moderno, um Big Brother sem consentimento de funcionários.

Dois meses depois da ordem, vieram as férias coletivas na sede da Barra da Tijuca, como todo ano em dezembro, época em que o futebol brasileiro para por um mês. Sem funcionários na CBF, a ordem presidencial para instalação de câmeras de espionagem foi fácil de ser cumprida.

A ideia parecia perfeita: escondidas nos detectores de fumaça do restaurante, com áudio e imagem. As conversas e os segredos de funcionários, dirigentes, visitantes, políticos que ali frequentam, jornalistas, treinadores.

Pouco tempo depois da instalação das câmeras para espionagem, uma obra na sede possibilitou que Luísa Rosa, então diretora de infraestrutura e patrimônio da CBF, e sua equipe, identificassem o aparato: cinco câmeras estrategicamente postas em compartimentos falsos de detectores de fumaça, confirmando a foto do e-mail feita pelo autor do flagrante da ordem de instalação.

Em uma sala de reunião cujo acesso era exclusivo para o presidente e um segurança pessoal, a última surpresa, a cena final: na tela do computador da mesa de Ednaldo Rodrigues, o controle de todas as câmeras.

Muito mais do que isso: o controle de parte das conversas de pessoas chaves do mundo do futebol brasileiro.

Denúncia de assédio na justiça

O inacreditável Big Brother está relatado em um processo em andamento do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que corre em segredo de justiça e ao qual a reportagem teve acesso, protocolado em 21 de dezembro de 2023, por parte da ex-diretora Luísa Rosa.

Luísa Rosa foi diretora de patrimônio da CBF — Foto: Thais Magalhães/CBF

O processo na justiça vai muito além do assédio por espionagem do presidente da CBF. Nela, a executiva pede a condenação da CBF e indenização por assédio moral, sexual e discriminação por gênero.

Na peça judicial, a diretora descreve em detalhes o que passou nos três anos em que trabalhou na entidade, afirmando que a CBF "resolveu envolvê-la em uma jogada de marketing, alçando-a como "a primeira mulher diretora da CBF", mas, como dito a exaustão, não mais se tratou de uma ilusão, a autora era diminuída, objeto de piadas de cunho sexual, chamada para sair por outros integrantes da diretoria...", anexando na peça judicial inúmeras mensagens ilustrando os fatos e afirmando ter sido "vítima de assédio moral e sexual".

O pedido é sustentado principalmente pelos relatos das relações da ex-diretora com três executivos da CBF: o presidente Ednaldo Rodrigues, Rodrigo Paiva (diretor de comunicação) e Arnoldo Nazareth (gerente geral operacional e presidente da federação do Amazonas).

Nos relatos sobre o assédio moral em que denuncia o presidente, descreve que a CBF é um ambiente onde "assediar (independentemente da natureza do assédio) pessoas seria uma regra geral de conduta da CBF comandada por Ednaldo Rodrigues" e que, em sua gestão, o dirigente "instaurou um verdadeiro ambiente de assédio na entidade. Não impressiona, portanto, que mais da metade dos funcionários da CBF teriam medo de retaliações por denúncias".

No processo, a ex-diretora de infraestrutura e patrimônio descreve a atuação do diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, assim:

"O referido diretor sempre se mostrou extremamente solícito e amoroso com a autora, em quem passou a confiar como se de fato fosse um 'amigo', um apoio dentro da empresa em que sofria todo tipo de assédio, ele passou a demonstrar-se sempre preocupado e disponível. Entretanto, a autora encontrava-se tão fragilizada que não percebeu que essa relação também era de assédio, demonstrando-se, pelas trocas de mensagem em anexo, onde sempre era tratada por 'linda', 'anjo', convidada a encontrá-lo em cafés e bares no Leblon (onde ambos residiam), além de reconhecer o ambiente doentio no qual vivia...".

Nas reproduções anexadas, exibe mensagem em que Rodrigo Paiva diz que "você é linda por dentro e por fora". Conta também que ele a enaltecia em mensagens, "enviando notas de elogio e falando mal de colegas e do próprio presidente, aproveitando-se da sua fragilidade".

Em outro momento, relata que o "diretor Rodrigo Paiva, como sempre fazia, sugere um encontro fora da CBF, no Leblon, ela novamente nega, insistindo que quer conversar com ele urgente, mas no local de trabalho ele se diz ocupado".

As reproduções de mensagens trocadas com Rodrigo Paiva ocupam exatas 89 páginas de um total de 475 do processo. Ou seja, 18,74% da peça abordam a atuação do Diretor de Comunicação. Outras citações sobre o executivo, além da reprodução de mensagens, estão espalhadas por mais 7 páginas.

Em uma dessas citações, a executiva cita coação por parte de Rodrigo Paiva. O diretor se mostra preocupado com a possibilidade de ser denunciado de assédio por ela, segundo a autora do processo.

Coação

"...No dia seguinte à justiça decidir-se pelo afastamento do então presidente Ednaldo, o sr Rodrigo Paiva liga para a autora, ciente de todos os seus atos e não mais ocupando um cargo de prestígio que possuía na ré (CBF), questionando se a mesma iria acusá-lo de assédio, mais uma vez tentando coagi-la, em 5 minutos em que falou e pouco ouviu, pois desta feita não surtiu mais qualquer efeito".

Em diversas mensagens de WhatsApp de diálogos com Rodrigo Paiva anexadas ao processo estão repetidos recados em que ele chama a interlocutora de "linda", "anjo", e faz elogios. E diversos convites para encontros. De acordo com a autora, sempre para se encontrarem fora da CBF.

No dia 3 de setembro de de 2022, Rodrigo Paiva se mostra solicito. "Quando estiver chateada, estou aqui".

Já no dia 1 de fevereiro de 2023, quando sugere para que se encontrem. "Vamos nos ver. Longe de lá. Beijos".

Pouco tempo depois, no dia 10 de fevereiro, o diretor de comunicação é mais ostensivo: "Sei que amigo de trabalho não pode falar certas coisas. Mas é coisa boa...Hoje você estava muito elegante e bonita".

Mensagens repetidas, como a de 13 de abril de 2023: "Pensei muito em você ontem". No mesmo dia, ainda envia "Te admiro" e "você é linda por dentro e por fora".

17 de abril de 2023: "Estava pensando em você aqui. Quando a conversa flui fica na nossa cabeça. Sou experiente, inteligente e do bem; além de modesto..KKK. Tudo o que você me falou só serve para nos aproximarmos e nos ajudarmos. Fica tranquila, você confiou na pessoa certa".

18 de abril de 2023: "Beijo. Amanhã te escrevo para saber como está. Linda! Muita paz!".

20 de abril de 2023: "Tá no Leblon ainda"?

25 de abril de 2023: "Você está bem? Não né? Estou preocupado com você. Está difícil. Achei que você ia chorar".

Ainda 25 de abril, Rodrigo Paiva envia um novo "você é linda".

31 de maio de 2023: "vamos conversar no nosso bairro".

Em inúmeras outras mensagens anexadas pela executiva, mostra atenção e elogia diversas vezes:

"Presto atenção em tudo o que você fala".

"Anjo".

"oi linda. Está tudo muito chato, vamos falar depois".

"vamos nos ver no nosso bairro".

"Pensei muito em você ontem. Imaginei como estava. Só bobeira".

Rodrigo Paiva - Imagem: UOL

A ex-diretora da CBF cita também cita Arnoldo Nazareth por assédio. Como no dia 6 de março de 2023, quando o dirigente da Federação do Amazonas envia mensagem dizendo que ela "estava bem linda".

Há o relato também sobre a necessidade de confrontar o gerente em relação a assinaturas de pagamentos para empresas de construção para a obra em andamento na sede por ele indicadas, assim como para pagar o motorista que atendia a ele, pago com verba da CBF.

CRONOLOGIA

Como não concordou em referendar as empresas escolhidas pelo gerente e os pagamentos respectivos, descreve que ela e os funcionários ligados a equipe por ela comandada passaram a sofrer represálias no tratamento.

Um documento público, escondido entre os milhares de registros da polícia militar de Alagoas, estado do nordeste brasileiro, é um ótimo retrato do ambiente em que o futebol brasileiro é comandado e de como os rumos do até aqui futebol mais vitorioso da história das copas do mundo são decididos.

O Boletim Nº 005 de 6 de janeiro de 2023, assinado pelo Coronel Paulo Amorim Feitosa Filho, comandante geral da polícia militar de Alagoas, expõe as vísceras da entidade que comanda o futebol do futebol brasileiro e os homens que estão no poder.

Entre policiais à paisana armados, intimidação e ameaças, o futuro do futebol pentacampeão do mundo é decidido.

Intimidação armada

No dia 23 de março de 2022, dia da Assembleia Geral Eleitoral que se reuniu para eleger o novo presidente da entidade, algumas horas antes do início da votação para presidente da CBF, Gustavo Feijó, ex-prefeito de uma cidade de Alagoas e da federação de futebol do mesmo estado, até aquele momento vice-presidente da CBF, sentou na mesa que estava em cima do palco, exatamente no lugar que era destinado para Ednaldo Rodrigues e avisou que a eleição não seria realizada. Depois de algum tempo, o impasse se resolveu e Ednaldo Rodrigues, até então aliado e agora inimigo, foi eleito, contrariando Feijó, que pretendia impedir o pleito. Estavam presentes todos os presidentes dos 40 clubes das duas principais divisões do futebol brasileiro e os presidentes de federações dos estados.

Provavelmente não viram o que aconteceu nos bastidores.

Através do boletim da polícia militar de Alagoas, é possível entender o tamanho da degradação da entidade.

Instaurado a partir de um relatório interno da CBF, o boletim relata que o vice-presidente Gustavo Feijó compareceu a sede da CBF no dia da eleição acompanhado de seis homens. Dos quais, três eram seguranças e estariam portando armas na assembleia.

Dos três, um era soldado aposentado da polícia militar do estado do Rio de Janeiro, um era bombeiro do corpo de bombeiros do estado de Alagoas e o outro era policial do estado de Alagoas.

Este último foi identificado pela corregedoria da polícia de Alagoas como o primeiro sargento Arnaldo da Silva. A investigação existe porque a polícia de Alagoas procura entender eventuais irregularidades cometidas pelo soldado do seu quadro de funcionários.

De acordo com o corregedor, é preciso apurar a presença e a atitude de intimidação do sargento, o que justificaria a "instauração de processo administrativo disciplinar com vistas a apurar as condutas do acusado, que insistiu em permanecer em recinto de instituição portando, supostamente, arma de fogo, e mesmo após ser convidado a retirar-se não o fez, causando embaraço ao evento, agindo de forma intimidante, utilizando-se da condição de policial militar para subjugar o convite de retirada".

A reportagem tentou contato com Gustavo Feijó mas não conseguiu. No entanto, no inquérito da polícia de Alagoas, ele nega a presença de homens armados. Interrogado como testemunha na peça, o então vice-presidente da CBF confirmou que estava presente na assembleia eleitoral da CBF pelo cargo que ocupava, e que, como tinha em seu poder liminar judicial para suspender a eleição, compareceu. Mas negou a companhia de policiais, afirmando que eram "alguns amigos".

O impasse só se resolveu quando os militares foram abordados por equipe de segurança da CBF. Para não ter que apresentar nomes e o registro das armas, e confirmar a numeração dos armamentos como está no boletim, os policiais se retiraram para a sala do então vice-presidente, o gabinete 302 do prédio da CBF e só assim a eleição se realizou.

Os escândalos da gestão Ednaldo Rodrigues não são fatos isolados. A retrospectiva sobre os últimos presidentes da CBF mostram um problema estrutural da entidade que comanda o futebol brasileiro.

Os sete últimos presidentes da CBF foram protagonistas de escândalos. Desde 1989, com Ricardo Teixeira no comando. O dirigente ficou até 2012, quando alegou questões de saúde para deixar o cargo. Na verdade, estava pressionado por uma série de investigações de corrupção. Em 2015, foi um dos protagonistas do Fifagate, o episódio que abalou o futebol mundial. Em 2019, foi banido do esporte pela Fifa, após o comitê de ética da entidade constatar o recebimento de propina por parte do dirigente.

Foi sucedido por José Maria Marin, de 2012 a 2015, ano em que foi preso na Suíça por envolvimento no Fifagate. Em 2017, Marin foi julgado e considerado culpado em seis de sete acusações envolvendo fraude e lavagem de dinheiro e cumpriu prisão domiciliar nos Estados Unidos até 2020.

Em seu lugar, entrou Marco Polo Del Nero (2015/2017), afastado do cargo pela Fifa em dezembro de 2017, sob denúncias de corrupção da Justiça norte-americana. No ano seguinte, Del Nero foi banido pela Fifa, responsabilizado por suborno, corrupção e outras infrações.

Em 2017, Antônio Carlos Nunes de Lima, o coronel Nunes assumiu a CBF de forma interina mas ficou até 2019. O coronel é beneficiário de indenização para anistiados políticos, reparação para aqueles que foram "vítima de ato de exceção de motivação política" nos anos da ditadura militar no Brasil (1964-1985). No entanto, uma reportagem revelou que, na verdade, o benefício é uma fraude, já que o militar não foi vítima de ato de exceção da ditadura e sim comandante de instituições que estiveram envolvidas em atos de tortura de inimigos políticos dos militares.

Em 2019, Rogério Caboclo assumiu e foi até 2021, então afastado do cargo por denúncias de assédio sexual de uma funcionária da CBF. Por ser o mais velho eleitor do colegiado de dirigentes que compõe o colégio eleitoral, o coronel Nunes voltou a assumir de forma interina, ficando até 2021, quando Ednaldo Rodrigues assumiu de forma interina até 23 de março de 2022, data da assembleia eleitoral citada nesta reportagem, quando foi eleito presidente.

Em dia 7 de dezembro de 2023 foi afastado do cargo após suspeitas de irregularidades na eleição em que venceu.

No dia 4 de janeiro último, foi reconduzido ao cargo em decisão monocrática do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A decisão ainda será analisada pelo plenário do STF.

Lucio Castro - Imagem: Arquivo pessoal

Outro lado

A reportagem enviou pedido de resposta sobre os temas abordados para a CBF, os dirigentes e também para o diretor de comunicação Rodrigo Paiva.

A CBF enviou a resposta abaixo:

"A arquiteta Luísa Xavier Rosa foi promovida à diretora de Patrimônio e Infraestrutura da CBF em abril de 2022, por mérito, devido ao competente trabalho que vinha executando na gerência do departamento e aos resultados apresentados, bem como ao interesse da colaboradora em ascender na carreira, formalizado pela própria em e-mail enviado à presidência àquela época. Ela permaneceu no cargo até deixar a confederação, em julho passado, e foi bem sucedida nas missões a ela confiadas, essenciais à estrutura de apoio do futebol no país.

A Confederação Brasileira de Futebol possui uma estrutura complexa de administração, cuja gestão é compartilhada por 11 diretorias encarregadas desde a gerência de clubes e dos campeonatos até a estrutura física de suas várias instalações, função esta que era delegada a Luísa.

Assim, as agendas dos gestores com o presidente obedecem a critérios variados, como urgência, disponibilidade e presença do dirigente na sede. Reuniões dinâmicas e compartilhadas com outros diretores não são raras e nem se aplicam exclusivamente a determinado setor. São impositivas para agilizar decisões, otimizar agendas e compartilhar impactos com outros setores eventualmente afetados. No mais, comunicações por e-mail, telefone ou WhatsApp sempre foram prontamente atendidas pelo presidente.

Sobre as denúncias em tela, importante esclarecer que Luísa Xavier Rosa apresentou queixa à Comissão de Ética do Futebol Brasileiro e à Diretoria de Governança e Conformidade da CBF em maio de 2023, relatando que o então gerente de manutenção, Arnoldo Nazareth, estaria interferindo no processo de contratação de uma empreiteira, função que seria exclusiva ao seu cargo. A denúncia foi prontamente acolhida pela diretoria e, apenas dois dias depois, a diretora foi formalmente informada que deveria suspender o contrato questionado e escolher outra empresa para concluir os trabalhos, e que constituiria um procedimento interno para apurar suas alegações.

A investigação, conduzida pelo Conselho de Governança Corporativa da entidade, seguiu critérios rígidos de ética e diligência e concluiu, conforme registra o relatório final, que as denúncias não tinham respaldo em documentos ou nos relatos de testemunhas e colegas de trabalho. Note-se que não há, na denúncia em questão, qualquer menção à ocorrência de assédio sexual, sendo sua queixa exclusivamente relacionada à sobreposição de funções.

O processo de desligamento da arquiteta da CBF seguiu procedimento padrão, acompanhado pelo técnico de informática e por uma gestora de Recursos Humanos, que prestou apoio à ex-diretora, inclusive emocional. Luísa teve acesso ao seu computador antes de devolvê-lo e pôde copiar, selecionar e salvar todos os arquivos e documentos que achasse necessários.

Expostos os fatos, vale ressaltar que a CBF repudia veementemente qualquer tipo de assédio moral ou sexual dentro e fora de suas dependências. Desde que assumiu a presidência, em 2021, e diante de um histórico recente de acusações do tipo, Ednaldo Rodrigues tem envidado todos os esforços para colocar a entidade e o futebol brasileiro em linha com as melhores práticas de governança, incluindo equidade, isonomia, integridade e respeito.

Parte desse esforço foi a implementação, no início de 2023, do Programa de Combate e Prevenção à Qualquer Discriminação no Ambiente de Trabalho, com o objetivo de identificar fragilidades, combater comportamentos impróprios e educar para a prevenção de assédios. O programa é desenvolvido por uma empresa profissional terceirizada. Atualmente, a CBF tem 100% da sua equipe treinada a respeito do tema.

A fase atual é a de discussão e implantação de um Código de Ética e Conduta específico para o corpo funcional e de implantação de um canal de denúncia externo, com garantia do anonimato. Segundo o diagnóstico inicial, a CBF tem hoje no seu quadro 52,73% de homem cisgênero e 42,27% de mulher cisgênero, além de 6,82% que se identificam como pertencentes à comunidade LGBTQIAPN+. O esforço segue no sentido de aproximar ainda mais os indicadores de gênero e proporcionar segurança, conforto e tratamento digno e respeitoso a todos os colaboradores".

Luísa Rosa 

A reportagem enviou pedido de resposta para a ex-diretora de patrimônio e infraestrutura da CBF, Luísa Rosa diretamente e ainda para a advogada que a representa na ação que move contra a CBF, Cyntia Sussekind Rocha, sem resposta.

Gustavo Dantas Feijó 

A reportagem não obteve contato com o ex-vice-presidente da CBF. Em caso de contato, atualizaremos a publicação.