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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Crise na Arbitragem não é assunto novo

Crise na arbitragem não é assunto novo no futebol mineiro. Há vários anos, clubes reclamam de árbitros, e esses, do tratamento que recebem dos dirigentes. Em 1940, uma dessas crises chegou ao auge com o pedido de demissão coletiva dos árbitros do quadro da Liga de Futebol de Belo Horizonte, que organizava o campeonato da época. “Demissão collectiva dos juízes” foi a manchete do Estado de Minas de 16 de Abril daquele ano.

O atrito com os árbitros começou quando a assembleia dos clubes da Liga, para reduzir os custos da competição, decidiu reduzir a cota de arbitragem, sem consultá-los. “Os árbitros, diante de argumentos convincentes, estamos certos de que não se recusariam a auxiliar o programa de cortes de despesas, delineado pela assembléia. E adeririam, com facilidade, porque assim não ficariam desconsiderados”, analisou o texto do EM.

A preocupação do jornal era com o início do campeonato de 1940, no dia 28 daquele mês, e com a falta de substitutos à altura dos experientes árbitros. A opção seria aproveitar os que apitavam na várzea. “Para apitar um jogo de responsabilidade e num ambiente como o nosso, em que os rivais quase que se entre devoram, é preciso que seja aproveitado um árbitro de tirocínio incontestável”, publicou o EM.

A carta de demissão coletiva foi apresentada à Liga no dia 15, com 12 assinaturas: Satiro Taboada, Raimundo Sampaio, Francisco Trindade, José Pedro Rizzo, Fuad Abras, Geraldo Mansur, Abílio Tristão Braga, Ary Martini, Geraldo Jacob, Abílio Lopes de Almeida, Nilo Fernandes e Antonio Harry Leite. Diferentemente do que se esperava, o presidente da Liga, Saint-Clair Valadares, aceitou o pedido dos árbitros. “No pé a que chegaram os acontecimentos, não tive outro meio senão conceder demissão aos juízes profissionais”, explicou o dirigente.

A nota oficial da Liga esclarecia que seria usado o quadro de aspirantes, com quatro efetivos e quatro suplentes: Geraldo Santos, Geraldo Toledo, José Maria Monteiro de Castro, Antônio Luiz Gorle (efetivos) e Boanerges Lisboa, José Manoel, Felippe Robini e Victor Vidotte (suplentes). Eles estrearam no Torneio Início, em 21 de abril.

MÁS ARBITRAGENS E a primeira experiência não foi boa, segundo o Estado de Minas. Na decisão do Torneio Início, entre Palestra (que venceu no número de escanteios) e Atlético, houve uma briga generalizada entre os jogadores. Na avaliação do jornal, o árbitro Geraldo Toledo foi responsável pelos incidentes. “Pode ser que, com o tempo, os novos juízes venham a atuar de maneira mais satisfatória, mas, por enquanto, o problema dos juízes de futebol em Belo Horizonte continua insolvível. (…) À assembléia da Liga de Futebol, que nos presenteou com um quadro de juízes bisonhos sem prática, cabe grande responsabilidade pelo desrespeito à disciplina”, publicou o EM em 23 de Abril.

No primeiro jogo do campeonato, entre Palestra e Siderúrgica, dia 28, o problema se repetiu. “Cenas de indisciplina originadas pelas falhas e pouca energia do árbitro”, destacou o jornal, na cobertura do jogo vencido pelos palestrinos por 3 a 1, com arbitragem de Geraldo Santos. O clube de Sabará chegou a pedir a anulação do jogo, alegando erros de arbitragem.

O problema somente foi solucionado definitivamente no início de Julho. “Decidida ontem a volta dos antigos juízes”, manchetou o EM. Com a intermediação da Associação Mineira de Cronistas Esportivos, por meio de seu então presidente, Vasco Rocha, a Liga e os árbitros definiram uma cota intermediária, e 10 assinaram ofício em que pediam o reingresso no quadro oficial da Liga (Tristão Braga e Ari Martini não retornaram de imediato).

“Volto satisfeito por ver a harmonia do esporte mineiro. Tenho certeza de que os antigos árbitros estão capacitados a dirigir bem as partidas, correspondendo à expectativa do público”, declarou Abílio Lopes de Almeida. Os árbitros decidiram também fundar a Associação Mineira de Árbitros de Futebol. Francisco Trindade foi o primeiro dos exonerados a voltar a apitar. Ele dirigiu Sete de Setembro 1 x 3 Villa Nova, no campo do Palestra, no Barro Preto, em 7 de Julho de 1940.

Fonte: Extraído do site www.superesportes.com.br

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