Pesquisar este blog

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Flamengo x Corinthians: Chefe do VAR não respeita protocolo VAR

Pericles Bassols - de costa - no VAR de Flamengo x Corinthians - Fonte: CBF

Ontem acompanhamos mais uma patacada do VAR brasileiro, desta vez na final da Supercopa do Brasil, entre Flamengo e Corinthians e dentre tantos incidentes e imprevistos como ter ficado fora de operação e sem imagens no telão do estádio por falta de energia elétrica, quero destacar uma em especial, a interferência direta e indevida do observador do VAR na decisão da expulsão do jogador Carrascal, do Flamengo. O colombiano acertou um soco no rosto de Breno Bidon, no fim do primeiro tempo, mas só recebeu o cartão vermelho na volta do intervalo. Após rever o lance, o árbitro entendeu que a atitude de Carrascal foi passível de expulsão e aplicou o cartão vermelho ao camisa 15 rubro-negro.

No vídeo da revisão, dá pra ver e ouvir a interferência do observador do VAR, Periclés Bassols, escalado por ele mesmo para este jogo, como pode ser observado na escala da arbitragem. Entre os segundos 30 e 40 do áudio, Péricles interfere diretamente na revisão orientando sobre o que deveria ser seguido pela equipe.

"É conduta violenta e pode ser revisada em qualquer momento; É mão fechada no queixo, chama é expulsão;" – diz a voz de Péricles ao fundo do áudio.

Não vou discutir a lisura do resultado em campo e do mérito das equipes e sim, mais uma vez e pela milésima em que procedimentos e protocolos são usados em determinadas situações e em outras não.

O Observador VAR *não pode e não deve se manifestar sobre lances*. Não opina, não tipifica conduta, não orienta decisão. Sua função é estrutural, logística e de controle do processo, nunca técnica durante o jogo. Qualquer fala ou gesto interfere na comunicação, constrange a equipe e compromete a integridade da Sala VOR.

Essas diretrizes constavam de forma expressa nos documentos originais do VAR e foram *retiradas há mais de quatro anos*, no período do “soberbo”, e jamais restabelecidas. O resultado é previsível: papel difuso, limite frouxo e interferência normalizada.

O ponto central, além da auto escalas dos membros da comissão é a *interferência*.

O presidente da Comissão de Arbitragem, Rodrigo Cintra, se autoescalou como inspetor - fato inédito. Mais grave: o chefe do VAR, na função de *Observador VAR*, ocupa posição à frente da tela e se manifesta durante o processo. Isso não é detalhe. É violação direta do protocolo.

Pelo apurado, o árbitro de vídeo (Rodolpho Toski Marques) e sua equipe, supostamente, decidiram rever o lance, após interferência do observador e chefe na hierarquia da arbitragem, que segundo o protocolo, não deve agir no trabalho de análise da equipe técnica e aqui que quero, mais uma vez, dizer o quanto é perigoso termos membros de comissões de arbitragem atuando nessas funções.

Escala completa da partida - Fonte: CBF

O que chama atenção e a facilidade de Péricles Bassols se manter no poder. Quando ainda árbitro, teria intermediado as negociações do contrato de patrocínio entre a Topper e a FERJ. Por divergência no valor que teria a receber pela intermediação, bateu de frente com o chefe dos e deixou o estado indo arbitrar em Pernambuco.

Na ocasião, membros da arbitragem carioca suspeitavam que o ex-árbitro vazava informações e o Blog teve acesso a alguns desses áudios onde Bassols revela detalhes da sua ida para o futebol pernambucano e critica os dirigentes carioca, revela bastidores e diz que quase tiraram ele do quadro da FIFA por não fazer a famosa leitura de jogo que Jorge Rabello queria.