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terça-feira, 28 de abril de 2026

Com 1,9 bilhão no caixa, CBF teve déficit de R$ 182 milhões em 2025

CBF - Divulgação

Segundo balanço aprovado na última segunda-feira (27), a CBF fechou o ano de 2025 com déficit de R$ 182 milhões. Gastos com a seleção brasileira, com as demais competições promovidas pela entidade, com altos salarios de dois técnicos e o processo do Icasa explica essa temporada no vermelho. Também contou o fato da queda de receita nos direitos de transmissão neste ano, sendo que em 2024 o superávit alcançou R$ 107 milhões.

A diretoria da CBF não demonstrou preocupação na reunião com o déficit apontado, mesmo esperando o mesmo em 2026. Primeiro porque a entidade tem R$ 1,9 bilhão em caixa e segundo que o novo contrato da Nike e de outros patrocínios terão efeito em 2027 quando a situação será revertida como espera os dirigentes.

Em 2024 a receita operacional da CBF foi de 1,302 bilhão e fechou 2025 em R$ 1,193 bilhão. A redução deve se principalmente por conta do contrato de transmissão da Série B onde a entidade recebia mais de 200 milhões que repassava integralmente aos clubes. Agora o contrato é diretamente com a FFU (Futebol Forte União).

Houve também pequena queda do valor de patrocínio já que o número de parceiros em 2025 tinha sido reduzido, mas cresceu novamente para 2026. Além disso, houve aporte com antecipação de valores do contrato da Nike com dois anos antecipado e recebidos em 2024. Por isso, mesmo com os seguidos déficits, o acúmulo de quase R$ 2 bilhões no caixa da entidade.

Pelo novo contrato firmado com a gigante do setor esportivos, a partir de 2027, a CBF passará a receber em torno de US$ 100 milhões (R$ 500 milhões) por ano da Nike, o triplo da arrecadação atual. A distribuição dessa grana, nem sempre de forma republicana, também não parou de aumentar chegando a quase 100 milhões nas despesas em 2025. O valor que era de R$ 1,078 bilhão em 2024, subiu para R$ 1,166 bilhão no ano passado.

A contratação de Carlo Ancelotti (com salário mensal de R$ 5 milhões), aumentos de investimentos na Copa do Brasil, na Série D e no deficitário futebol feminino, ajudaram a gerar esse incremento. Além do atual técnico, a CBF também está pagando o salário de 1 milhão mensal do demitido Dorival Jr, o que deve ocorrer até dezembro de 2026 conforme acordado entre as partes. Além do salário, o ex-técnico recebeu cerca de 15 milhões de multa rescisória.

Dorival tem direito a receber o valor mensal mesmo treinando outro clube, como aconteceu quando dirigiu o Corinthians. O contrato original, assinado em janeiro de 2024, previa um salário de 2 milhões mensais até a Copa do Mundo. A mudança para 1 milhão mensal é parte do acordo de rescisão firmado após sua saída.

A previsão da CBF é que as despesas aumente em 2026: há custos do VAR, do impedimento semi-automático, da profissionalização da arbitragem e das novas competições regionais. Mas o maior impacto no déficit foi o processo ganho pelo Icasa contra a entidade pelo rebaixamento de 2013. O clube alegou que a entidade cometeu um erro que impediu sua ascensão para a Série A apesar do Figueirense ter escalado um jogador de forma irregular.

Neste ano, a Justiça comum deu ganho de causa ao clube cearense. A CBF teve de pagar R$ 80 milhões para o Icasa, valor que foi quitado pela confederação. Só isso explica boa parte do déficit.

O orçamento aprovado prevê novo déficit de R$ 200 milhões em 2026. A intenção é equilibrar as contas em 2027.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

 STF impede direita de fazer política

Antes de defender nossas preferências políticas, é preciso defender a democracia, num sentido pluralista

Art - Divulgação / Instagram

Por: Pablo Ortellado - Professor de Gestão de Políticas Públicas na USP

Na semana passada, o plenário do STF considerou inconstitucional a lei catarinense que acabava com as cotas raciais para as universidades no estado, por 10 votos a 0.

Segundo o Datafolha, 83% dos brasileiros apoiam cotas para as universidades na sua dimensão social (para quem cursou escola pública), mas, na dimensão racial, elas têm apoio minoritário (41%). Os críticos das cotas raciais argumentam — a meu ver, sem razão — que elas racializam uma sociedade mestiça e criam privilégios para uma elite negra. É um argumento que existe na sociedade e faz parte do debate público há muitos anos, sobre o qual a Assembleia Legislativa de Santa Catarina deliberou.

Partidos de esquerda e organizações negras recorreram ao Supremo para derrubar a lei. O relator Gilmar Mendes estabeleceu dois entendimentos. O primeiro é que a premissa da lei é inconstitucional — ela se baseia no argumento de que as cotas raciais violam a isonomia, quando o STF já estabeleceu que não violam. A decisão confunde o argumento político sobre a conveniência das cotas enquanto política pública com o argumento jurídico sobre se devem ser permitidas. O legislador não disse que as cotas raciais não são legais, mas que politicamente não são adequadas.

Em seguida, Gilmar entendeu que o legislador não apreciou detidamente os fatos (com audiências e estudos) antes de legislar sobre matéria que pode restringir direitos. Se aceito como precedente, esse raciocínio sujeitaria qualquer produção legislativa a controle judicial sobre a qualidade do processo deliberativo. O próprio voto reconhece a fragilidade desse raciocínio ao afirmar que se trata de “controle de resultado, não do processo” — mas o que efetivamente faz é avaliar como o Legislativo deliberou: ritmo de tramitação, ausência de audiências, falta de oitiva das instituições afetadas.

A decisão desapareceu rápido em meio ao noticiário da semana, mas não deveria. É grave que uma Corte constitucional, com argumentos duvidosos, derrube uma lei instaurada por deputados eleitos pelo povo. E a decisão tem efeito duradouro: torna praticamente irremovível uma política pública controversa. O STF, que havia entendido antes que cotas podem ser adotadas em vestibulares e concursos sem violar o princípio da isonomia, agora decidiu que elas dificilmente poderão ser revogadas. Numa decisão, a Corte passou do “pode” haver cotas para o “deve” haver cotas.

O STF pode alegar cumprir sua função contramajoritária, defendendo direitos fundamentais contra maiorias, mas o que de fato fez é transformar uma determinada política pública na forma compulsória de defender esses direitos.

No livro “O povo contra a democracia”, Yascha Mounk argumenta que o populismo autoritário é resultado da expansão do poder de instituições não eleitas, como Cortes constitucionais, bancos centrais e agências reguladoras, que restringem o espaço de expressão da soberania popular. O populismo é, por essa leitura, uma reação radical ao encolhimento da soberania. É difícil não pensar na tese de Mounk olhando para a decisão do STF.

É um pouco embaraçoso defender o direito da direita de acabar com uma política pública que eu defendo. Já escrevi aqui na coluna, noutras ocasiões, que considero as cotas raciais na universidade uma política positiva e muito bem-sucedida. Mas a discussão aqui não diz respeito ao mérito das cotas, mas ao direito da direita de exercer a soberania entregue por meio do voto popular. Vivemos um momento em que é preciso, antes de defender nossas preferências políticas, defender a democracia, num sentido pluralista.

Em 1513, Nicolau Maquiavel publicou em versão manuscrita “O príncipe”. A obra foi recebida com choque por sua tese provocativa, mas também porque era obra de um conhecido militante republicano que defendia ali uma saída monarquista para Florença e para a Itália. Há muitas especulações sobre o que levou um republicano como Maquiavel a escrever “O príncipe”, mas a explicação mais provável é que, antes de ser republicano, ele era um nacionalista italiano que via com grande preocupação a vulnerabilidade da península italiana às invasões de franceses, espanhóis e alemães. Para a Itália se proteger, precisava ser unificada. E, se o melhor caminho para a unificação era uma monarquia, que fosse. Primeiro italiano, depois republicano.

Nos tempos que correm, precisamos hierarquizar nossos compromissos políticos — cada um de nós. Antes de sermos de esquerda, de centro ou de direita, precisamos decidir se somos democratas. O estado atual de coisas tem tirado a direita do jogo político, alimentando um ciclo vicioso em que ela se radicaliza porque não tem espaço, e o establishment fecha qualquer espaço a ela porque é radical. Quem deu início ao ciclo é uma pergunta estéril. O importante é que esse ciclo nos conduz a dois desfechos: uma democracia que se torna tão defensiva em relação à direita que já não pode mais ser considerada democracia; ou uma ditadura.

Há apenas um caminho para romper esse ciclo: abrir espaço para a direita — não para a direita que gostaríamos de ter, mas para a direita que realmente existe — e, ao acomodá-la, arrancar dela um compromisso inequívoco com a democracia. Não existe democracia digna do nome em que a soberania expressa no voto de metade da cidadania é cassada pelo tribunal constitucional.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Michelle Ramalho reeleita na Federação Paraíba de Futebol

Michelle Ramalho - Crédito: Instagram/Reprodução

A presidente da Federação Paraibana de Futebol, Michelle Ramalho, foi reeleita, na ultima terça-feira (31), por aclamação para um novo mandato que vai até final de 2030.

Durante entrevista ao Programa “Hora H”, da Rádio POP FM e Rede Mais Rádios, Michelle anunciou que pretende investir mais na formação de árbitros paraibanos para aumentar a presença na elite da arbitragem nacional visando futuramente ter profissionais do estado no quadro da FIFA. A meta, segundo ela, é ampliar a presença do estado nas grandes competições e consolidar profissionais qualificados para atuar em torneios de alto nível.

A dirigente ainda destacou que os campeonatos locais já são bem organizados e contam com árbitros que ja atuam em torneios nacionais. Para a dirigente, a Paraíba possui potencial para se tornar um celeiro não apenas de jogadores, mas também de gestores e árbitros de destaque no futebol brasileiro e internacional.

A presidente também ressaltou sua atuação em cargos nacionais e internacionais, como vice-presidente da CBF e membro do Comitê de Competições da FIFA, experiência que considera essencial para trazer conhecimento e oportunidades para o futebol paraibano. Ela afirmou que a nova gestão buscará ampliar ainda mais o espaço da Paraíba no cenário esportivo nacional e internacional.

Michelle e os vice-presidentes Marcelo Vaz, Nosman Barreiro e Flávia Raquel - Crédito: Divulgação/FPF-PB

Paraibana de Campina Grande, Michelle Ramalho Cardoso tem 48 anos e está na presidência da Federação Paraibana de Futebol (FPF) desde 2018, quando venceu um pleito acirrado contra o ex-diretor executivo da entidade, Eduardo Araújo. Administradora de empresas e advogada, Michelle Ramalho ficou conhecida por seu trabalho no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) defendendo o Treze-PB. Posteriormente foi indicada ao cargo de auditora do órgão pelo então presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, com quem, à ocasião, supostamente manteria estreitíssima relação pessoal.

Candidata indicada pela Confederação Brasileira de Futebol a presidencia da FPF, na primeira votação houve empate, mas com a chegada de dois diretores da CBF, Marta Marinho, do Registro e Sérgio Corrêa, então lider do projeto árbitro de vídeo e chefe do Departamento de Arbitragem da entidade que rege o futebol brasileiro, para dar suporte no pleito, Michelle venceu na segunda votação pela contagem de 26 a 24, com uma das ligas mudando de lado. 

Foi reeleita em 2022 em um pleito com chapa única e em 2025 aprovou uma mudança estatutária permitindo reeleições ilimitadas na FPF sendo agora reeleita novamente, desta  vez para o quadriênio 2026–2030 com apoio unânime das 51 entidades filiadas à chapa “União que Transforma”.