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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Árbitro outdoor

Patrocinadora pagará cerca de 10 milhões de reais para estampar logotipo no cartão amarelo, na munhequeira e nas mangas dos uniformes da arbitragem 

Yelum Seguros na arbitragem

E o projeto da CBF de ter os custos da arbitragem totalmente bancados pela própria arbitragem avança a passos largos. A entidade fechou com um novo parceiro, a Yalum Seguros, que terá seu logotipo divulgado na equipe de arbitragem.

A ação “Cartão Yelum Seguros” teve inicio na ultima quinta feira, 30 de julho, e se estendera até o final de 2026 durante as partidas do Campeonato Brasileiro da Séria A e da Copa do Brasil. Nesse período, com provável renovação para os anos vindouros, todos os cartões amarelos exibidos pelos árbitros passarão a contar com o logotipo da Yelum. O logotipo da marca também estará presente nas mangas dos uniformes e munhequeiras de toda a equipe de arbitragem.

Os valores não foram revelados oficialmente, mas uma fonte dentro da CBF revelou que o acordo rendera algo em torno de 10 milhões de reais aos cofres da CBF. Desse valor, nenhum centavo será destinado diretamente a arbitragem cujo representantes (ANAF e ABRAFUT) sequer foram informados sobre o acordo.

A fonte também revelou que a entidade estuda uma forma de gratificar a equipe de arbitragem por cada cartão amarelo apresentado pela exposição da marca durante a partida.

A Yelum Seguros, controlada pelo grupo HDI, revelou que a ação publicitária terá custos de R$ 15 milhões englobando o contrato de patrocínio com a CBF e as ativações de mídia na TV e redes sociais.

O Blog tentou, mas não conseguiu contatar a CBF e a Yelum Seguros. O espaço estará aberto e será atualizado caso alguma dessas empresas se pronuncie.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Presidente da Comissão de Arbitragem cearense é afastado após denúncias de assédio sexual

Paulo Silvio - Crédito: Pedro Chaves / FCF

O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio, foi afastado do cargo, depois de nove anos à frente da pasta. Segundo nota oficial da FCF, o próprio dirigente solicitou, na terça-feira (14), licença pelo período de 30 dias.

A nota ainda diz que o cargo será ocupado por Francisco de Almeida Filho, atual vice-presidente da Comissão de Arbitragem.

Outro motivo?

Segundo informações divulgadas nas redes sociais do ex-árbitro FIFA Dacildo Mourão, o motivo do afastamento de Paulo Silvio teria sido por denúncias de assédio sexual feitas por, pelo menos quatro árbitras do quadro cearense.

O ex-FIFA divulgou no seu Instagram, vídeo em frente à Casa da Mulher Brasileira que é a delegacia responsável pelas demandas policiais da mulher. No vide (abaixo), o ex-FIFA relata que as árbitras estavam sendo ouvidas pela delegada naquele momento (ontem à tarde) e que foi realizado BO (boletim de ocorrência) para apurar as denúncias.

Denuncias de Dacildo Mourão - Crédito: Instagram

Veja vídeo original: https://www.instagram.com/p/DayZn-6CWHw/

Dacildo ainda fez uma série de denúncias contra Paulo Silvio e membros da comissão de arbitragem cearense relatando até um possível estupro sem entrar em detalhes e cobrando a prisão do dirigente.

O Blog apurou o nome das quatro árbitras que estavam presentes na delegacia representadas pelo advogado de iniciais BV, que não vamos divulgar e nem entrar em detalhes para não atrapalhar as investigações em andamento que estão em sigilo.

O Blog apurou ainda que Paulo Silvio não deve mais retornar ao cargo na FCF. A comissão de arbitragem cearense passará a ter um novo dirigente e que Almeida filho ficará no comando até a definição do novo nome para a função.

Segundo ainda apurou o Blog, o nome mais provável é o do carioca Marcelo de Lima Henrique, de 54 anos, que atua no quadro de árbitros da FCF desde o final de 2021. Segundo os bastidores, De Lima, que já anunciou sua aposentadoria do apito para o final deste ano, já teria, tempos atras e antes da demissão de Paulo Silvio, conversado com o mandatário da FCF sobre esta possibilidade.

Reportagem da Globo-CE sobre o caso - Crédito: GE/CE

O que ele disse

O Blog entrou em contato com Paulo Silvio para esclarecimentos sobre as denúncias. Segundo o dirigente, ele se licenciou do cargo por ter viagem particular marcada a algum tempo para os Estados Unidos. Em relação as denúncias, o dirigente disse que não é a primeira vez que isso ocorre e que sofre uma perseguição sistemática do ex-árbitro desde que assumiu a comissão de arbitragem. Paulo Silvio ainda disse que não tinha chegado nada pra ele oficialmente sobre estas denúncias e que tomara as medidas necessárias e cabíveis no momento oportuno para preservar seu nome e sua honra.

Atualizado: 17/07/2026 - 08:14 hs

quinta-feira, 9 de julho de 2026

TRT condena Federação Carioca em 100 mil por exigir sindicalização de árbitros

A 10ª turma do Tribunal Regional do Trabalho da primeira região, em grau de recurso, ajuizado pelo Sintrace - Sindicato dos Trabalhadores e Colaboradores da Arbitragem Esportiva do Estado do Rio de Janeiro -, condenou a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), ao pagamento de 100 mil reais, por exigir, como requisito, a sindicalização dos árbitros para atuarem em suas competições.

O acordão ainda reconheceu o Sintrace como entidade legitima para defender os interesses da categoria. A FERJ sustentava que a entidade sindical não representaria legitimamente a categoria dos árbitros. O Tribunal rejeitou essa alegação. O acórdão reconhece expressamente que o sindicato se encontra regularmente registrado perante o Cadastro Nacional de Entidades Sindicais (CNES), possui base territorial estadual e representa diversas categorias da arbitragem esportiva.

Além disso, o Tribunal observou que o SAPERJ – Sindicato dos Árbitros do Estado do Rio de Janeiro, sequer possuía registro regular no CNES na situação analisada, razão pela qual manteve o reconhecimento da legitimidade do SINTRACE para propor a Ação Civil Pública em defesa coletiva dos profissionais da arbitragem. 

Trechos da ação

O acordão cita que a exigência de filiação e de contribuição para trabalhar por parte dos árbitros foi ilícita, que houve violação a direitos fundamentais dos árbitros e que a violação foi grave o suficiente para gerar dano moral coletivo.

O Blog falou com Marçal Mendes, Presidente do Sintrace sobre o que essa decisão representa para os árbitros.

“A decisão do Tribunal Regional do Trabalho representa uma vitória histórica para os árbitros de futebol do Estado do Rio de Janeiro. Na prática, a Justiça reconheceu que ninguém pode ser obrigado a entrar em um sindicato ou pagar contribuições sindicais apenas para poder trabalhar como árbitro. Isso significa que o direito ao trabalho está acima de qualquer exigência de filiação sindical” – disse Marçal Mendes.

Marçal Mendes - Presidente SINTRACE

“Antes, muitos profissionais precisavam manter pagamentos ao sindicato indicado pela Federação para conseguir atuar nas competições. Agora, o Tribunal afirmou que essa prática contrariava a Constituição Federal, que garante a liberdade de associação. Ou seja, o árbitro tem o direito de escolher livremente se quer ou não se associar a qualquer entidade sindical, sem sofrer punições por essa decisão” – encerrou o líder sindical. 

Entenda o caso

No final de 2025, o Sintrace ajuizou ação civil pública contra a exigência da FERJ, para que os árbitros fossem associados do SAPERJ e ainda à COOPAFERJ (cooperativa da FERJ) com pagamentos de anuidades de R$ 200,00 e descontadas taxas de 5% dos pagamentos recebidos pelos árbitros nos jogos em que atuavam para atuarem nas suas competições, o que ocorreu até março de 2019.

Trecho da ação reproduzindo Art.41 do regulamento da FERJ

A ação, com valor de R$ 1.018.900,00, foi julgada improcedente em primeira instancia por prescrição de prazo e reformada parcialmente em maio deste ano, em grau de recurso pelo TRT.

Embora ainda possam existir recursos às instâncias superiores em relação a alguns pontos do processo, o acórdão do TRT da 1ª Região representa um marco jurídico na proteção dos direitos fundamentais dos árbitros esportivos e no respeito à liberdade de associação garantida pela Constituição da República.

Trecho da ação

O Blog entrou em contato, mas não conseguiu retorno da FERJ. O espaço esta aberto e este post será atualizado caso isso ocorra.