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domingo, 18 de setembro de 2022

Comissão de arbitragem da CBF erra feio e enterra carreira de jovem árbitro

VAR, nervosismo e inexperiência são piores inimigos da arbitragem em confronto no Ceará

 Maguielson expulsando Zé Roberto - Crédito: Fabiane de Paula/SVM

Mais uma escala infeliz de Wilson Seneme e seus asseclas da comissão de arbitragem da CBF. O jovem e inexperiente árbitro Maguielson Lima Barbosa, de 31 anos (18/06/1991), do Distrito Federal, terá que ter muita força mental e resiliência para se reerguer, dar a volta por cima para sequência da sua carreira que esta por um fio. 

Durante a partida entre Ceará e São Paulo deu até dó do seu nervosismo estampado em seu rosto e da sua desastrosa atuação no confronto vencido pelos paulistas por 2 a 0. Especialmente no primeiro tempo.

Maguielson literalmente foi jogado na jaula com leões, pois o confronto ao qual foi escalado reunia equipes com jogadores experientes e que fariam de tudo para ganhar devido a posição próxima a zona de degola de seus times na tabela de classificação. Não foi uma aposta, pois seu curriculo não permitia isso, e sim um tiro no escuro da comissão que lucraria caso ele fosse bem. Ponto pra Seneme, mas como foi mal, muito mal, a culpa recairá sobre o árbitro que, espero estar enganado, dificilmente terá novas oportunidades.

A não ser em caso raro, ou surgimento de algum fenômeno, não se faz um árbitro do dia para a noite, com oito partidas de Série B e uma de A no currículo. Tem que ter um plano de carreira, dar rodagem, testar em diversas situações e soltar aos poucos e em jogos de pouca projeção, dando confiança e tornando-o conhecido dos jogadores.

Não foi o caso deste árbitro. Ao todo, em três anos, ele apitou apenas 32 partidas de profissionais pela CBF e, apesar de não ter demonstrado isso hoje, pode até ser bom árbitro senão a comissão não o escalaria numa partida tão nervosa e importante devido a colocação das duas equipes na tabela. Pelo menos é o que se espera para não dizer ingenuidade dos membros da CNA.

Para não ser injusto, a culpa é toda, mas não só da comissão de arbitragem. O jovem árbitro também tem boa parcela, pois deu mole, tremeu e não correspondeu às expectativas nele depositadas.

A arbitragem foi calamitosa do primeiro ao último minuto do primeiro tempo e com ajuda negativa do VAR. As decisões foram muito confusas e o árbitro mostrou seu nervosismo logo no início ao mudar decisão conforme pressão dos jogadores do time mandante. Foi assim aos 20º quando marcou tiro de meta em lance duvidoso, mas mudou rapidamente para escanteio após sofrer pressão do time da casa. Ali já demonstrou todo o seu nervosismo e aos poucos foi perdendo controle da partida e respeito dos jogadores que formavam bolinho ao redor do árbitro para reclamar toda falta que ele marcava. 

Aos 26º mandou seguir jogada normal reclamada como pênalti pelos jogadores do Ceará e pelo olho clínico do comentarista de arbitragem da TV caseiro. Árbitro caseiro temos muitos e é até normal no futebol brasileiro, mas comentarista é algo inusitado e surreal.

Aos 28º mostrou cartão amarelo para Rodrigo Néstor em falta normal demostrando mais uma vez sentir a pressão.

Aos 34º marcou pênalti corretamente de Luís Otávio do Ceará em cima de Carelli do São Paulo. O lance é inconcluso, mas ficou a nítida impressão pelas imagens que foi no mínimo em cima da linha de area e o pênalti deveria ser confirmado. Deveria, mas o VAR deu o ar de sua graça e atuou decisivamente para estragar de vez a arbitragem da partida que já era muito contestada. Quando deveria simplesmente informar que o toque tinha ocorrido dentro ou fora da área, chamou o árbitro para revisar e o mesmo mudou a marcação para falta e expulsou Luís Otavio.

Aos 43º Nino Paraíba, do Ceará deu forte carrinho em Wellington. Falta marcada, bolinho de jogadores e o cartão amarelo que cabia pela forte entrada por tras não saiu do bolso. No segundo tempo Nino tomou o amarelo e deveria ser expulso se não tivesse contado com a complacência e covardia do árbitro no final do primeiro tempo.

Maguielson apitando pelo Candangão 2022 - Crédito: Jessika Lineker

Aos 48º mostrou cartão amarelo corretíssimo para atacante Jô, do Ceará.

Aos 51º mudou novamente a marcação após marcar claro escanteio para o São Paulo e segundos depois sinalizar tiro de meta para o Ceará.

Aos 54º terminou o polêmico primeiro tempo com quatro amarelos, dois para cada equipe e um vermelho, para o Ceará.

Começou o segundo tempo como terminou o primeiro, ou seja, com erro. Aos 3º minutos, atacante São Paulo chutou a bola para o gol que desviou nitidamente na zaga como mostrou as imagens, na frente do árbitro que apontou tiro de meta.

Depois disso o segundo tempo seguiu sem maiores novidades até que aos 39º ocorreu mais uma expulsão. Desta vez de Zé Roberto, também do Ceará que ficou com dois a menos e tomou mais um gol já nos acréscimos.

Saldo final da partida foram 26 faltas, sete cartões sendo cinco amarelos e dois vermelhos para o Ceará, dois amarelos para o São Paulo e um árbitro amedrontado que dificilmente terá novas chances no apito.

A partida foi difícil de apitar, mas mais culpa das trapalhadas da arbitragem do que dos jogadores que ficaram nervosos com os erros e, sem deixar de mencionar, a intervenção desnecessária e prejudicial do VAR.

O árbitro tem bom físico e acompanha as jogadas sempre bem próximo, as vezes se põe até próximo demais, mas precisa mostrar bem mais que mostrou hoje para ter novas oportunidades para se firmar na elite do futebol brasileiro.

A comissão de arbitragem da CBF mais uma vez demonstrou que não tem nenhum projeto para a arbitragem brasileira. Ao escalar um árbitro que não tem experiencia e nem o mínimo possível de currículo para atuar em uma Série A, demonstra também que está mais perdida que cego em tiroteio e que conta com a sorte para revelar. Mas não pode fazer escalas as cegas queimando talentos que necessitam ser lapidados antes de serem jogados na arena com os leões.

Logo após a partida, o Ceará comunicou que vai enviar representação à CBF contra a arbitragem de Maguielson Lima Barbosa e deve incluir o VAR.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Futuro FIFAs participam de programa de jovens talentos da Conmebol

Os árbitros Ramon Abatti Abel, de Santa Catarina e Paulo Cesar Zanovelli da Silva, de Minas Gerais, e os assistentes Nailton Junior de Sousa Oliveira, do Ceará e Luanderson Lima dos Santos, da Bahia, foram convidados para participarem do Programa de Jovens Talentos promovido pela Conmebol (Confederação Sul-americana de Futebol).

Também foi convidada a árbitra Michelle Peixoto Safatle, de Goias. As atividades presenciais serão realizadas nos dias 20 e 21 deste mês, em Luque, no Paraguai.

Em março deste ano, Ramon Abatti e Nailton Oliveira foram convidados para participarem de curso semelhante pelo intercâmbio entre a Conmebol e UEFA para árbitros promissores, em Nyon, na Suíça. Devido a não dominarem o idioma inglês, ambos foram substituídos pelo arbitro Alexandre Vargas Tavares de Jesus (RJ) e pelos assistentes Thiago Henrique Neto Corrêa Farinha (RJ) e Thiaggo Americano Labes (SC).

Promissores

Ramon Abatti e Paulo Zanovelli fizeram recentemente os testes para árbitros internacionais e devem compor o quadro FIFA na próxima temporada. O catarinense Abatti, 32 nos (18/09/1989), tem sido escalado nas principais partidas da CBF nesta temporada onde teve ótimas atuações e caso ocorra a promoção, será de forma justa e merecida. Ramon, até o presente momento e se a soberba não atrapalhar, é a maior revelação da arbitragem brasileira das duas ultimas decadas.

Em um patamar um pouco abaixo vem Zanovelli, que também vem tendo ótimo desempenho dentro de campo, bem superior à pelo menos a metade dos árbitros que hoje compõe o quadro internacional. Se for promovido também será de forma justa e merecida, mas o mineiro, de 32 anos (08/01/1990), caso não seja indicado ao quadro FIFA na próxima temporada, certamente será em 2024.

Nailton Oliveira e Luanderson Lima durante teste fisico FIFA - Crédito: Facebook

Segundo os bastidores da arbitragem, Luiz Flavio Oliveira, de São Paulo, 45 anos (13/06/1977), FIFA desde 2015 e Rodolpho Toski Marques, do Paraná, 35 anos (05/04/1987), FIFA desde 2017, são os nomes mais prováveis para deixarem o quadro internacional no fim deste ano. O paulista perderia o escudo pela idade um pouco avançada para a função e pelos  problemas físicos apresentado durante as ultimas temporadas. Já o paranaense seria substituido por deficiência técnica. 

Também conta o fato de que ambos foram pouco aproveitados pela conmebol em jogos internacionais.

Entre os assistentes, que também fizeram os testes para o quadro internacional, o cearense Nailton Oliveira, 30 anos (31/12/1991), desponta como favorito tendo em vista que era tido como certa sua promoção no final de 2021. Outro com o escudo FIFA praticamente garantido no peito, se não na próxima temporada, mas certamente em 2023, é Luanderson Lima de 27 anos (17/06/1995). O baiano de Dias D´Avila, tem Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, como padrinho e certamente pelo cargo que ocupa um pedido seu não sera atendido. Fez sua estreia na Série A do Brasileiro nesta temporada e já acumula 25 partidas em competições nacionais. Destas, 14 pela principal divisão do futebol Brasileiro.

Luanderson é um ótimo assistente, é oriundo do projeto DBAF - Divisão de Base de Árbitros de Futebol -, programa social do ex-árbitro Rildo Góes e com padrinho ou sem padrinho e continuando a trajetória, em breve estará no quadro internacional.

Segundo bastidores do apito, devem sair Alessandro Álvaro Rocha de Matos, da Bahia, 46 anos, desses 21 no quadro FIFA e Guilherme Camilo, de Minas Gerais, que caiu em desgraça com Wilson Seneme e provavelmente sentira a mão pesada do sistema.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Árbitro que será indicado à FIFA por São Paulo pode pegar até um ano de suspensão no STJD

Douglas Marques das Flores - Crédito: Instagram

O árbitro Paulista Douglas Marques das Flores, foi denunciado e será julgado, às 13:00 da próxima segunda-feira (15), pela 1ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por não relatar fatos ocorridos na partida Santos (SP) 2x2 Red Bull Bragantino (SP). O confronto válido pela 13ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, foi disputado no dia 18 de junho de 2022, no Estádio Vila Belmiro, em Santos.

Indiciado pelo Art. 266 - Deixar de relatar as ocorrências disciplinares da partida, prova ou equivalente, ou fazê-lo de modo a impossibilitar ou dificultar a punição de infratores, deturpar os fatos ocorridos ou fazer constar fatos que não tenha presenciado – se condenado, pode pegar suspensão de trinta a trezentos e sessenta dias, cumulada ou não com multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 1.000,00 (mil reais).

Como nunca foi associado e não contribui com a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), o profissional não será defendido no tribunal pela entidade e terá que se defender das acusações por conta própria e arcar com todas as despesas do próprio bolso. A entidade dos árbitros, além de fornecer suporte jurídico aos árbitros associados, acompanha o processo até o final, inclusive em grau de recursos cobrindo todas as custas e despesas processuais.

Indicação à FIFA

Prestigiado em São Paulo onde apitou a primeira partida da decisão deste ano entre São Paulo e Palmeiras, Douglas Marques das Flores, de 36 anos, formou-se árbitro em 2006 e faz parte do quadro da CBF desde 2016. Fez sua estreia na Série A do Campeonato Brasileiro em 2019 na partida CSA x Flamengo. Não atuou em nenhuma partida em 2020 e atuou em duas no ano passado. Este ano já atuou em cinco, incluindo a que foi indiciado.

Arbitragem da final do Paulistão deste ano - Crédito: Instagram

Flores fez recentemente os testes para ingresso no quadro da FIFA e, segundo informações, herdara o escudo de Luiz Flávio de Oliveira em 2023. Segundo ainda as informações, Douglas será indicado para que São Paulo não perca a vaga, mas o verdadeiro dono do escudo, na vontade da CEAF Paulista, é Matheus Delgado Candançan, de 24 anos, que será promovido assim que preencher os requisitos mínimos para entrar na lista internacional.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Polêmica entre CBF e CBFS e as mudanças no Futsal

Renata Leite e Sandro Brechane, novos membros da Comissão do Futsal, juntos, não ganham 10% do salário de Seneme

Em fevereiro deste ano, este Blog postou os rolos que as mudanças que estavam ocorrendo no FUTSAL, com a CBF tomando de volta à seleção, a arbitragem e a Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS) de forma desesperadora ameaçou de expulsão os árbitros que atuassem na Liga Nacional.

O processo de mudança teve início ainda no mandato de Rogério Caboclo, então presidente da CBF e, para entender melhor e explicar aos leitores desta página e amantes do futsal, fui atrás de mais detalhes onde recebi informações dos árbitros, dirigentes da liga e tentei contato com os da CBFS, mas não obtivo sucesso.

Como eu ja havia publicado a muito tempo, chamaram o ex-todo poderoso Sérgio Corrêa para organizar o processo de criação do quadro de árbitros de Futsal. Na época apurei que Renata Leite, de São Paulo e Sandro Brechane, do Rio Grande do Sul seriam os escolhidos para comandar a comissão do futsal e hoje a Liga segue com arbitragem escaladas por Renata e Sandro, ambos indicados por Lavoisier Freire, que segue no comanda do futsal, por Sérgio Corrêa e confirmados por Wilson Seneme.

Um ano se foi desde a confusão instalada no Futsal e as competições da Liga Nacional segue com os árbitros, com excessão dos paranaenses que não atuam pela CBF, sendo designados pelas duas entidades, mas pelo que este Blog pode apurar, até dias atrás, Renata e Sandro ainda estavam trabalhando de forma informal na comissão de arbitragem, mas pelo que tenho visto, o atual presidente da CBF não está dando muita bola para o apito, tanto que a tão propalada comissão prometida pelo Seneme só saiu do papel cerca de quinze dias atras, três meses após sua posse e enquanto isto, os dez demitidos da antiga comissão ainda não receberam seus direitos trabalhistas. Mas esse assunto será abordado em outro post.

No Futsal, a pergunta que todos tem feito: quantos árbitros fazem parte da CBF? Em que local se pode achar tais informações? Quem são? São de quais federações? Foram realmente excluídos da CBFS?.... Perguntas sem respostas pelo total desprezo que a atual gestão da CBF tem com a arbitragem.

Taxas

Desde 2015 a taxa de um árbitro da Liga Nacional é de 412 reais. Segundo informações, devido a mudança não deu para mudar os valores, mas na próxima temporada deve ter substancial aumento. Eu não acredito nesse papo e se não aumentaram o valor dessa taxa vergonhosa, foi porque não quiseram e não se pode cobrar muito de profissionais tão mal renumerados.

Obs. Vale ressaltar que a Liga Nacional de Futsal não é uma competição da CBF. A entidade só disponibiliza os árbitros que recebem as taxas da Liga. Mesmo assim, a taxa ainda é vergonhosa.

Renata Leite e Sandro Brechane - Crédito: arquivo Pessoal

O Blog apurou que diferentemente do futebol, onde todos os membros da comissão moram no Rio de Janeiro, subsidiados pela CBF, os membros da comissão de arbitragem do futsal trabalharão em Home Office, diretamente de suas residências.

O Blog apurou ainda, de forma extraoficial, que juntando os dois salários dos membros do futsal, não chega a 10% do que ganha Wilson Seneme e para ser mais exato, 6% no total. Por um lado a CBF propaga que investe na arbitragem e por outro paga salário risonho para uma comissão nacional como forma de 'economizar tostões enquanto gasta milhões' com dirigentes de federações em forma de 'mensalinhos'.

O que eles disseram

O Blog entrou em contato com os dois encarregados pela arbitragem do futsal. Renata Leite a ex-árbitro FIFA disse que passou a desenvolver um trabalho na CBF no final do ano passado juntamente com Sandro Brechane, Sérgio Corrêa e Manoel Serapião onde fizeram tradução do livro de regras e demais documentos necessários e desenharam o projeto que era sonhado e esperado pelo futsal para que se possa atingir os objetivos conquistados pela arbitragem do futebol.

“Tivemos alguns percalços pelo caminho como a troca de presidente da CBF, a saída do Gaciba, mas seguimos trabalhando. Hoje temos um quadro de 140 árbitros trabalhando na Liga Nacional masculina e feminina. Fazemos devolutivas para os árbitros toda quarta-feira, temos acompanhado jogos, feito devolutivas individuais, damos orientações e palestras buscando sempre a evolução dos nossos árbitros” - disse Renata Leite que acrescentou:

“Precisamos renovar o futsal de uma forma geral, principalmente nas condutas e pensamentos. Os clubes estão mal acostumados, são vetos e reclamações sem conhecimento de regra. Querem trocar a escala de árbitros, herança do passado e da conduta equivocada dos antigos dirigentes que não treinavam os árbitros e só faziam o que os clubes queriam. Os árbitros viviam e vivem na antiga entidade sem respaldo e desprotegidos”.

Já Sandro Brechane disse que: 

"Em primeiro lugar somos dois ex-árbitros. Saímos de dentro da quadra e nos preparamos pra um dia sermos instrutores. Tenho em 32 anos de arbitragem, 3 cursos de instrutor pela FIFA e um pela Comebol. Recebemos o convite da CBF no intuito de renovar e capacitar a arbitragem de futsal do Brasil seguindo as normas e as diretrizes da FIFA. Assumimos em dezembro essa missão e passamos muito trabalho devido à pressão que muitos árbitros sofreram e sofrem para não aceitar nosso convite pra trabalhar no projeto CBF, mas seguimos com os que acreditaram no projeto com confiança que a médio prazo estaremos com um padrão melhor de arbitragem em cima de critérios, posicionamento e domínio das regras".

 O dirigente ainda falou do que ja esta sendo feito.

"Estamos fazendo devolutivas com vídeos de acertos e erros para tentarmos diminuir os equívocos e fortalecer os acertos, conversas individuais e assistindo as partidas dentro do possível in loco ou pela televisão. Enfim estamos muito felizes, sabemos da nossa responsabilidade perante a entidade CBF e tambem com a arbitragem brasileira' - encerrou Brechane.

Quando perguntados sobre a polêmica no salário, ambos não quiseram responder.

O Blog falou também com Fabio Costa, ex jogador e atual dirigente do futsal gaúcho. Fábio disse que as mudanças estão sendo bem aceitas pelos árbitros e que Renata Leite e Sandro Brechane são ótimos profissionais que tem tudo para realizar um trabalho espetacular frente a arbitragem do futsal. Disse ainda que a incorporação da modalidade pela CBF foi a melhor coisa que aconteceu com o futsal.

“A mudança é muito bem-vinda. A direção da CBFS (Confederação Brasileira de Futebol Salão) era uma vergonha, não se preocupavam com os clubes, atletas e árbitros. Era só para os dirigentes ganharem dinheiro” – disse Fábio.

Fábio Costa - Crédito: Arquivo Pessoal

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Árbitro analisando árbitro: Modernidade ou falta de ética?


 Federação Paulista de Futebol escala árbitro para analisar árbitro e gera revolta entre analistas

O Curso de Analistas, promovido pela Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF) sempre foi cercado de polêmicas, desde a sua primeira edição em 2021. Os que conseguiram se formar, fizeram estágio supervisionado - como estágio prático - em algumas rodadas das competições da FPF e sem qualquer remuneração.

Apesar do constar que a realização do curso não garante vaga no quadro de analistas da FPF, o edital induz o candidato ao erro de acreditar em uma vaga, inclusive, dizendo que os participantes poderão integrar o quadro de prestadores de serviços da entidade, porém no momento da inscrição para atuar, exige-se alguns requisitos em que a maioria dos participantes não tem. Nesta hora o agora 'analista' se da conta que de nada valeu todo seu esforço, dedicação e dinheiro gasto com o curso e que seu certificado não passará de um quadro ornamentando parede e sem qualquer valor.

Ou seja, descobrem que, além do tempo perdido, perderam também R$1.300,00 reais para obter um diploma sem qualquer utilidade ou serventia.

Ao todo, o curso gerou algo em torno de 150 mil reais aos cofres da FPF e o edital deste ano já está disponível para quem quiser se qualificar em uma função que, com raríssimas exceções,  dificilmente conseguira trabalhar.

Trechos do edital do Curso de Analistas FPF 2021 - Crédito: Reprodução FPF

Segundo informações, dos cerca de 100 alunos aprovados no curso, não mais que dez estão sendo escalados e muitos deles, são árbitros ou assistente em atividade, que estão analisando seus companheiros de campo. No ponto de vista profissional as funções desempenhadas são incompatíveis e do ponto de vista ético, árbitro em atividade analisar árbitro é no mínimo antiético.

Os relatórios feitos pelos analistas além de atribuir notas e conceitos ao profissional analisado e de fazer comentários sobre pontos positivos e pontos a melhorar, são posteriormente objetos de uma reunião chamada de devolutiva, onde os lances são mostrados aos árbitros daquela categoria, servindo como exemplo para que o eventual erro não volte a ocorrer.

Além do exposto acima, os analistas de verdade, pertencentes a um quadro com esta única função, grupo formado por experientes ex-árbitros que encerraram a carreira no apito a muito tempo e passaram a avaliar os árbitros, estão sendo preteridos ficando fora das escalas que estão sendo ocupadas por árbitros em atividade, em uma concorrência desleal.

O desgaste é grande e a revolta desses profissionais é recorrente. Alguns deles, pedindo anonimato, entraram em contato com o BLOG.

“Absurdo, a FPF está escalando árbitros da ativa como analistas iniciantes. Falta de ética e deixando os verdadeiros de fora, revoltando o pessoal que estão todos puto da vida” – disse um deles.

Atualmente a maior revolta do meio envolve o assistente Daniel Luís Marques que, obviamente será usado como exemplo, mas não tem qualquer culpa se a comissão o utiliza nas duas funções, pois esta apto para as duas e cumpre as escalas, alias, como qualquer um, inclusive quem reclama, certamente também faria.  

Daniel que tem 41 anos (06/11/1981), desses, 23 como árbitro, vem sendo escalado seguidamente em uma função ou na outra, sendo dentro de campo como assistente e fora do campo como analista. Este ano atuou em cinco partidas da base como analista e em 18 partidas como assistente nas Séries A1, A2 e A3.

Crédito: Reprodução FPF

O que eles disseram

O BLOG falou com Ana Paula Oliveira, presidente da Comissão de Arbitragem da FPF.

Segundo a dirigente, todos os árbitros/analistas estão analisando só na base, competições que eles não atuam dentro de campo. Além disso, todos fizeram e foram aprovados no curso de analista 2021 e a CEAF vem trabalhando para melhorar a qualidade de entrega dos analistas atuais.

Ana falou também sobre a necessidade de ampliar o quadro de analistas com qualidade e a melhor forma é investir em estágios monitorados como a CEAF vem fazendo e que também faz parte do processo de transição de carreira.

Sobre as reclamações dos analistas ela não ve problema e que gosta deste desconforto.

“Sinceramente gosto desse desconforto dos analistas, muitos não estavam valorizando as oportunidades. Agora estamos formando mais e com mais qualidade – disse Ana Paula que encerrou falando no aproveitamento da experiência.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Após AVC, Cel. Magalhães é demitido da Comissão de Arbitragem da FMF

Cel. Altair Magalhães - Crédito: Vanessa Moreno

O título da matéria é forte, mas na arbitragem, a nomenclatura é utilizada pelos dirigentes para explicar o afastamento das escalas de árbitro quando este comete algum deslize e é afastado das escalas.  Neste caso não houve qualquer explicação, mas retrata fielmente o ocorrido com o então presidente da comissão de arbitragem da Federação Mato-grossense de Futebol, Cel. Altair das Neves Magalhães, 75 anos, no cargo desde 2006 e exonerado no último dia 16 de maio.

A demissão de qualquer funcionário, respeitando as leis vigentes em nosso país, é decisão exclusiva da entidade e devemos respeitar, mas neste caso demonstra uma profunda desumanidade tendo em vista que o demitido sofreu AVC (Acidente Vascular Cerebral) no do ano, ficou 20 dias na UTI entre a vida e a morte e desde então tenta se recuperar da enfermidade. Segundo informações, Cel. Magalhães está visivelmente debilitado, com psicológico abalado, falando com dificuldades, em cima de uma cama com braço e perna direita paralisados, fazendo uso de cadeira de rodas e andador para se locomover.

Vale frisar que quando sofreu o AVC, o dirigente ocupava a presidência da comissão e preparava a arbitragem local para as atividades deste ano, mas após o infortúnio e até o presente momento, o diretor de competições, Diogo Carvalho vem comandando interinamente a comissão.

O Blog não conseguiu contatar Cel. Magalhães. Também procurou a FMF para que esta falasse sobre a demissão do dirigente, mas a entidade não se manifestou até o fechamento do post.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Entendendo as escolhas dos árbitros para a Copa do Mundo de 2022

Raphael Claus e Wilton Pereira Sampaio - Crédito: Reprodução Internet

Tenho ouvido e lido muitas opiniões sobre as indicações dos árbitros brasileiros para a Copa do Mundo de 2022. Pelo tempo que tenho no futebol posso também emitir as minhas e o farei com base em contatos diversos, desde integrantes de comissões estaduais, nacional, ex-dirigentes do apito e pela mídia.

Antes, porém, é importante lembrar que Wilson Seneme, ex-presidente da comissão de arbitragem da Conmebol, ainda é um dos dez membros do Comitê de Arbitragem da FIFA, portanto, ao contrario do que muitos pensam, um dos principais responsáveis por tais indicações por motivos óbvios.

Como ocorre na CBF, que recebe os árbitros vindo das Federações, o mesmo se dá na Conmebol que recebe os selecionados pela CBF para o quadro internacional, assim, Seneme acompanhou todo processo desde quando assumiu o lugar de Carlos Alarcon em Agosto de 2016.

Em 2018, Seneme deve ter avalizado a indicação de Sandro Ricci, hoje comentarista da TV Globo e pode elogiar ou criticar as decisões dos seus antigos companheiros e chefe do apito; Emerson Carvalho, que é cotado para integrar a comissão nacional; Marcelo Van Gasse e Wilton Sampaio, árbitro de vídeo no mundial de 2018.

Antes quero falar de quem não foi escolhida, a Edina Alves, primeira mulher a atuar numa competição masculina da FIFA, o Mundial de Clubes 2020, que devido a pandemia, só foi disputado em 2021. Ela não vai porque a FIFA decidiu que não levaria mais de uma ‘árbitra’ por país, já que apenas seis irão. Edina perdeu a vaga para a catarinense Neuza Back, com um currículo invejável de mais de uma centena de jogos, sem qualquer virgula, na principal competição do país.

Falando dos indicados, o currículo dos árbitros Rafael Claus e Wilton Sampaio, que passaram pelo processo com aval de Seneme, começou desde 2019:

Ambos estiveram na Copa América 2019 e 2021, com os assistentes Rodrigo Correa, Kleber Gil (2019) e Bruno Pires e Danilo Manis (2021) e foram escalados para a rodada decisiva das eliminatórias, com Claus atuando na partida Argentina x Equador e Wilton Sampaio na partida Venezuela x Colômbia.

Até sair a lista, todos, inclusive eu, apostavam que iria apenas um deles, tanto que Sérgio Corrêa, o ex-manda-chuva mais longevo do apito deu uma longa e rara entrevista na Rádio Bandeirantes quando opiniou: “são dois árbitros de qualidade e experiência e gostaria de ver os dois no Mundial, mas que normalmente a FIFA só levava uma e que Collina apostaria na experiência de uma copa, portanto poderia dar Wilton Sampaio”.

Clique aqui e confira a entrevista a partir do minuto 24.30 do vídeo:

Sete décadas depois

A última vez que tivemos dois árbitros foi em 1950, com o Brasil sediando e perdendo a Copa na presença de 200 mil brasileiros no Maracanã e sete décadas depois o fato se repete.

Assistentes seleccionados para Copa Catar - Credito: Reprodução Internet

Os assistentes escolhidos foram os que acompanhavam Claus e Sampaio em jogos pela Conmebol e pela FIFA e os nomes do goiano Bruno Pires, do carioca Rodrigo Corrêa já eram esperados. O paranaense Bruno Boschilia (primo do falecido Dulcidio) e o paulista de Tatui, Danilo Manis foram as surpresas. Já Neuza Inês Back maior surpresa ainda, pois em nenhum momento foi cogitada.

Brasil, Inglaterra e Portugal sem VAR

Como todos sabem e Seneme em suas entrevistas sempre repete que tanto a FIFA, a Conmebol, como a CBF, apostam em nomes que tenham larga experiência com VAR e decidam no campo.

Isto se comprova até nas escalas das Séries A e B do Brasileiro, com árbitros FIFA e os candidatos para o escudo em 2023 atuando sem cessar e aqui faço um parêntesis sobre a cobrança, antes sistemática das entidades dos árbitros da comissão nacional não designar árbitros do norte e nordeste silenciaram. Qual seria o motivo?

No Brasil, a ferramenta começou em 2019 e pelo número elevado de árbitros no campo e para atender outros países, o sacrificado foi um dos três que disputavam uma vaga: Péricles Bassols, Rafael Traci e Wagner Reway. Os escolhidos foram árbitros do Chile (Julio Bascunan), Colômbia (Nicolas Gallo), Venezuela (Juan Soto), Uruguai (Leodan Gonzales) e Argentina (Mauro Vigliano).

Em resumo, o Brasil vai levar sete árbitros, sendo que de São Paulo vai o trio Raphael Claus, Danilo Manis e a importada e competente Neuza Back que ocupa a vaga que seria destinada ao VAR.

Quase um século para as mulheres terem vez na arbitragem

Aliás, a seleção das seis mulheres em uma Copa do Mundo quebra um paradigma de 92 anos. Num próximo momento, vamos falar um pouco de cada uma delas... e também quem sabe, pelo andar da carruagem, de uma possível 'Marta' jogando com a 10 da seleção brasileira masculina. Esse dia chegara. Quem viver, verá!

Na Copa, imagino a primeira escala do Raphael Claus, com Danilo Manis, Neuza Back e Wilton Sampaio e na primeira do Sampaio, com Rodrigo Correa, Bruno Boschillia e Claus, na reserva.

Uma escolha técnica e eles, segundo a Conmebol, foram os melhores para merecer o prêmio de árbitros mundialistas e aqui registro meus parabéns e desejo de boa sorte a todos para que possam representar dignamente nossa arbitragem na maior competição futebolística do mundo.

Opinião pessoal

Para mim, Raphael Claus é sem duvidas o melhor árbitro do país desde que passou a ostentar o escudo FIFA em 2015. O invejável currículo dele é de conhecimento de todos que estão lendo este post e não preciso descrever. Já Sampaio sempre teve altos e baixos, foi mais mediador que árbitro picotando as partidas ao longo de sua carreira. Felizmente, neste ano vem atuando de forma diferente, com mais coragem e deixando a partida seguir sem paralisar a todo instante e marcando falta por qualquer esbarrão. Portanto a indicação dos dois são merecidas.

Já os assistentes, Neuza Back, a surpresa da lista, sem comentários, seu currículo fala por si. A mulher maravilha, com o perdão do trocadilho por conta da  cidade onde ela residiu em Santa Catarina, faz historia e a indicação é mais que merecida. Já o carioca Rodrigo Correa, o mesmo que foi punido por quatro meses pela FIFA por ter esquecido de levar as bandeiras para uma partida das eliminatórias entre Chile e Argentina, foi indicado por meritocracia, pois o ´palmito', como é conhecido na arbitragem, é um excelente assistente. Bruno Pires outra merecida indicação, pois é ótimo assistente. Por sua vez, Bruno Boschilia e Danilo Manis entram na cota do 'estar no lugar certo na hora certa'. São bons assistentes, mas sem cacife o suficiente para uma Copa do Mundo.

Finalizando deixo uma sugestão para o retorno deles: que suas taxas possam ter um acréscimo de 50% em todos os jogos pelo fato de serem mundialistas. Isto sim seria um reconhecimento por todo sacrifício deles durante a carreira e serviria como objetivo a ser alcançado pelos demais que sonham um dia apitar em uma Copa do Mundo.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Federação Catarinense reelege Rubens Angelotti para mandato 2023/27

Marco Martins, ex-árbitro e ex-presidente da ANAF, também foi reeleito como um dos cinco vices

Rubens Angelotti - Crédito: FCF

A Federação Catarinense de Futebol (FCF) realizou no dia 30 de Abril, eleição da nova Diretoria e do Conselho Fiscal e por aclamação, o presidente Rubens Angelotti foi reeleito presidente para o mandato de 12 de abril de 2023 a 12 de abril de 2027.

A assembleia Geral Ordinária de Eleição foi realizada na sede da entidade em Balneário Camboriú, inaugurada em dezembro de 2008. A chapa eleita, “Inovação, Respeito e Transparência”, foi composta com o presidente Rubens Angelotti e seus cinco vice-presidentes: Carlos Fernando Crispim, Guilherme Cecchin, Marco Antonio Martins, Paulo Cesar Gonçalves e Ricardo Viana Hoffmann.

O Conselho Fiscal ficou formado pelos membros efetivos Antonio Carlos Censi Pimentel, Enio Gomes e Rodrigo Vieira Gallotti Nunes, e com os membros suplentes Ademar Ramthum, Osni José Contesini e Waldir Waldemiro Weinrich.

Assembleia de eleição - Crédito: FCF

Rubens Renato Angelotti é natural de Curitiba, capital do Paraná, e foi diretor de futebol do Criciúma Esporte Clube até 2012. Em 2015 foi eleito vice-presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF) e assumiu a presidência substituindo Delfim Pádua Peixoto Filho, que veio a falecer no acidente aéreo com a delegação da Chapecoense em 2016. Em 2018, foi eleito presidente da FCF com mandato de 2019 a 2023.

“Assumi a Federação Catarinense de Futebol de forma inesperada e com uma responsabilidade grande. Foi um período de adaptação e aprendizado. Mantenho o meu compromisso de ajudar nossos clubes e ligas, de histórias memoráveis, a continuar vencendo os desafios que virão. Manteremos a dedicação, a lealdade e o respeito a todos” - destacou o presidente após ser reeleito ao site da entidade.

A FCF conta em sua estrutura diretiva com cinco vice-presidentes, sendo que um deles é Marco Antônio Martins, ex-árbitro do quadro local e da CBF e ex-presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF).

Presidente e vices eleitos - Crédito: FCF

Martins, que é um dos vices do atual mandato, preside desde meados de 2017, o departamento de arbitragem da entidade, onde vem realizando bom trabalho, principalmente na revelação de novos árbitros. Foi na sua gestão que o árbitro Ramon Abatti teve oportunidades para se firmar vindo a atuar em finais local e apitar grandes jogos pela Série A do Campeonato Brasileiro.

Sob seu comando e com total apoio do presidente Angelotti, também foram revelados Diego Cidral, Luiz Tisne entre outros tantos com talento que estão tendo oportunidades e logo farão parte da elite do futebol catarinense e brasileiro.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Você sabe quanto ganha um árbitro de futebol na Copa do Brasil de 2022?

Valor inicial de 2.3 por jogo ultrapassa 11 mil nas finais

Troféu da Copa do Brasil, concedido pela CBF - Crédito: Lucas Figueiredo/CBF

A Copa do Brasil, criada em 1989, disputada pelos clubes dos 26 estados brasileiros e pelo Distrito Federal, é uma competição nacional disputada nos moldes da Copa da Inglaterra, Taça de Portugal, Copa do Rei, Copa da Escócia, entre outras pelo mundo.

Inicialmente a Copa do Brasil foi disputada por 32 clubes, passou para 40 e cresceu até chegar em 69 no ano de 2000. Em 2001 passou a ter 64, número que se manteve até 2012. A partir de 2013, passou a ser disputada por 86 equipes e entre 2017 e 2020, foi disputada por 91 equipes. A partir de 2021, começou a ser disputada por 92 equipes, números que se mantém atualmente.

Como de costume, a Copa do Brasil será muito rentável para os clubes em 2022. A Confederação Brasileira de Futebol aumentou os valores em comparação a temporada passada. O campeão deste ano, por exemplo, receberá R$ 60 milhões, um incremento de R$ 4 milhões em relação à última edição, e o vice, R$ 25 milhões. Somando as fases anteriores, o vencedor pode embolsar um total de R$ 80 milhões.

Mas e os árbitros? Quantos ganham os profissionais para comandar partidas tão importantes, não só a nível esportivo, mas também financeiro. Segundo documento interno da CBF, obtido com exclusividade pelo Blog, as taxas de arbitragem têm valores insignificantes levando em consideração todo contexto da competição envolvendo prêmios aos clubes e salários dos jogadores, mas quantia bem razoável levando em consideração a importância do árbitro para o espetáculo, que inclusive pode ser realizado sem ele, e salário médio de um trabalhador comum.

Vamos aos números.

Na primeira e segunda fase da competição, o árbitro básico, recebe R$ 2.300,00 por jogo. Já o FIFA recebe R$ 2.720,00 e o assistente fica com 60% destes valores conforme sua categoria.

Por sua vez o quarto árbitro básico recebe R$ 575,00 e o FIFA R$ 680,00. O analista de campo recebe o mesmo valor pago ao quarto árbitro básico.

Os valores tem acréscimos conforme avança a competição. Na terceira fase a competição passa a contar com os clubes que disputam a Copa Libertadores.

Nas duas partidas finais, que serão disputadas nos dias 12 e 19 Outubro, os valores das taxas serão três vezes mais que o da fase inicial. Caso seja escalado um árbitro do quadro básico, possibilidade bem remota, este recebera R$ 7.980,00 enquanto um árbitro FIFA ficara com R$ 11.070,00 reais.

Veja os números completos abaixo.

Diárias e deslocamentos

As diárias variam de R$ 110,00 (até 100 km) a R$ 750,00 (acima 800 KM). Em caso de arbitragem local para clássico estadual, as diárias serão de R$ 750,00 reais em razão da obrigatoriedade de hospedagem um dia antes para equipe de arbitragem.

Os árbitros ainda receberão a título de deslocamento o valor de R$ 140,00 reais se residir em estado diferente de onde se realizara a partida e R$ 70,00 reais se local. As viagens com automóveis, serão ressarcidas com valor de R$ 0,80 por KM no trajeto ida e volta, mais pedágios. Caso viagem juntos, o valor será de R$ 1,50 por km rodado.

Segundo o documento, o árbitro VAR FIFA só recebera taxa equivalente a função quando estiver atuando na VOR. Caso esteja atuando em campo, recebera valores como árbitro básico. 

ANAF e os reajustes

O que disse a ANAF - Associação Nacional dos Árbitros de Futebol -: Segundo seu presidente, Salmo Valentim, a entidade solicitou, através de oficio, aumento de 50% em todas as taxas das competições nacionais.

"Faz-se necessária uma revisão do reajuste nas taxas de arbitragem. O aumento promovido em 2022 foi inferior ao praticado na temporada passada (5%) e ficou muito aquém da inflação nos últimos 12 meses (11,73%). A proposta é para que o reajuste imediato seja de 50% e extensivo a todos os profissionais do quadro nacional. Também pedimos a equiparação das taxas. No caso, para que assistentes, 4º árbitro, árbitro de vídeo e AVAR recebam o mesmo valor do árbitro central. É preciso considerar que um dos aspectos fundamentais para a motivação profissional é o retorno econômico e que o futebol brasileiro paga a menor taxa de arbitragem entre as principais ligas do mundo na atualidade".

Segundo apurado, a CBF não respondeu a ANAF até o fechamento desta matéria.

segunda-feira, 14 de março de 2022

Federação Alagoana não paga árbitros, descumpre acordo e fere estatuto do torcedor

Os valores atrasados referente Campeonato Alagoano e Copa Alagoas ultrapassa os 110 mil reais; Sindicato dos árbitros omisso se cala

O Campeonato Alagoano de 2022 completou sua primeira fase neste último final de semana. Disputado por oito equipes, até aqui foram realizadas vinte e oito partidas, validas pela primeira fase.

A arbitragem, composta por vinte profissionais, sendo oito árbitros e doze assistentes, comandada pelos ex-árbitros Charles Herbert e George Feitosa, vem realizando um ótimo trabalho dentro de campo, sem maiores reclamações e legitimando os resultados.

Mas se a arbitragem cumpre o seu papel, o mesmo não ocorre por parte da Federação Alagoana de Futebol (FAF) e Sindicato dos Árbitros (Sindafal), que não mediram esforços para trazer o mega star Néstor Pitana, árbitro da abertura e final da última Copa do Mundo, para uma palestra motivacional na pré-temporada, onde juraram amor eterno aos árbitros, prometeram apoio e agora sequer cumpre compromissos assumidos com os profissionais referente as taxas de arbitragens não pagando, até aqui, um centavo sequer dos valores devidos.

Veja o que determina o Estatuto do Torcedor quanto à remuneração dos profissionais da arbitragem:

Art. 30. É direito do torcedor que a arbitragem das competições desportivas seja independente, imparcial, previamente remunerada e isenta de pressões. Parágrafo único. A remuneração do árbitro e de seus auxiliares será de responsabilidade da entidade de administração do desporto ou da liga organizadora do evento esportivo.  

Acordo

Segundo um árbitro, que não será identificado para que não possa vir sofrer represálias, pelo acordo entre SINDAFAL e FAF, as taxas seriam quitadas a cada três rodadas e as despesas de alimentação e transporte seriam pagas nos vestiários, dependendo do público, ou no máximo na semana seguinte.

Para piorar a situação e demonstrar a falta de união do grupo, a fonte disse ao Blog que árbitros do quadro CBF, especialmente Denis Serafim e Brígida Cirilo, principais árbitros de Alagoas na atualidade, teriam dito nos bastidores, que não ‘estariam nem ai’ se as taxas do alagoano não estão sendo pagas, pois estariam com os bolsos cheios devido as taxas recebidas em jogos da CBF.

A título de informação, Serafim fez três jogos pela CBF e Brigida Cirilo atuou em duas partidas.

Os valores

Levando em consideração que nas escalas disponibilizadas pela CEAF/AL, todos os árbitros são classificados como FAF, a postagem usara o menor valor para levantamento dos atrasados, valores que podem ser acrescidos caso tenha sido respeitado as categorias descritas no documento referente taxas de arbitragem que diferencia os valores pagos aos árbitros locais, CBF e FIFA.

Campeonato Alagoano

Até aqui foram disputadas sete rodadas do estadual, com quatro jogos cada, sendo disputados vinte e oito partidas no total. Cada jogo, pelo valor básico, só de taxas de arbitragem, tem um custo de 2.800 reais e multiplicando pelos pelo total, a FAF deve aos árbitros o equivalente a R$ 78.400,00 só desta competição.

Copa Alagoas

A Copa Alagoas, segunda competição mais importante do estado, disputada por 14 equipes, distribui uma vaga na Copa do Brasil e uma vaga na Série D do campeonato brasileiro ao seu campeão. Nesta competição a arbitragem também não viu ainda a cor do dinheiro das taxas.

Já foram disputadas sete rodadas da primeira fase com sete jogos por rodada. Levando se em consideração o valor mais baixo da tabela das taxas (650,00 por jogo), o valor devido, só de taxas de arbitragem aos profissionais, soma 31.850,00 reais.

Somando as duas competições, os valores atingem R$110.250,00 reais devidos aos árbitros. Esses valores podem chegar a 150 mil reais caso seja respeitado os acréscimos por categorias dos árbitros e valores de despesas de transporte e alimentação que também não teriam sido pagas nos vestiários conforme acordo.

Segundo a fonte, os árbitros tem que aceitar calado a situação para não sofrerem represálias. A fonte disse ainda que o SINDAFAL é omisso com a situação devido seu presidente Silvio Acioli ter cargo na Secretaria de Esportes do Governo Estadual sob ordens do presidente da CEAF Charles Hebert que acumula o cargo de Secretário de Estado.

Silvio Acioli e seu chefe Charles Hebert

Portal da transparência do governo alagoano

O Blog procurou a comissão de arbitragem da Federação Alagoana de Futebol, mas não houve resposta até o fechamento desta matéria.

O Blog tentou, mas, por estar bloqueado, não conseguiu contatar Silvio Acioli, Presidente do Sindicato dos Árbitros de Alagoas e caso tenha alguma resposta, o post será atualizado.

Lambendo feridas do passado

Silvio Acioli não responde ao Blog devido não ter aceitado críticas ainda como árbitro na época de uma postagem de 2013 sobre o famoso ‘amigo teste’ (leia), na pista cavalar do futebol alagoano. Certamente o Blog não teria nenhum interesse em procurar o ex-árbitro, que já teria caído no esquecimento, assim como tanto outros, caso não fosse dirigente sindical, função que exige pessoa compenetrada em cumprir seu papel com a entidade e a ela servir e não dela se servir como trampolim, sem vaidades pessoal e que atue exclusivamente defendendo os interesses dos árbitros e não pessoal. 

A partir do momento que o árbitro tenha que procurar o Blog em vez de sua entidade de classe para que defenda seus direitos, esta perde toda sua legitimidade e o dirigente de plantão, caso tivesse hombridade, deveria renunciar por não estar mais cumprindo com seu dever para o qual foi eleito.